1. As Autárquicas já mexem. Mas falta-lhes povo. Alergia? Opção deliberada? Receio de revolta? Seja como for, porque será que alguns candidatos tardam em assumir que é o eleitorado a decidir quem ganha e não os meios de comunicação social, nem mesmo aqueles que os desesperados da política querem colar ao resultado do próximo sufrágio? Que justificação têm os que teimam cultivar o distanciamento em relação àqueles com que importa discutir desde já propostas e acertar compromissos? Temem um povo vítima das duvidosas prioridades do sistema onde vegetam?
2. Ainda sobre a prematura ‘campanha eleitoral’ em curso, tal a profusão de iniciativas em horário de expediente… Quem paga as horas e os salários dos candidatos com ocupações públicas, mas que passam grande parte do tempo em actividades partidárias? Pediram licença sem vencimento? Não sabem que só nos 30 dias anteriores à data das eleições é que têm direito à dispensa do exercício das respectivas funções?
3. Está agendada mais uma greve geral para esta semana. Irá suplantar em números a vontade dos que elegeram os actuais senhores do poder? A mobilização que se quer genuína levará a que o governo ceda à pressão das ruas ou apenas visa ter mais motivos para perpetuar o ruído? Haverá Brasil em Portugal, mesmo sabendo que os partidos e as centrais sindicais estão a perder protagonismo no legítimo direito ao protesto?
4. Nesta terra rodeada de mar é inconcebível o desleixo na forma como cidadãos e poderes lidam com a vida. Aflições, afogamentos e até mortes, tudo dramas evitáveis, são uma constante sempre que o sol aperta e a ondulação desaconselha banhos. Como suprir a falta de educação, de sinalização, de nadadores-salvadores, de vigilância nas praias, mas acima de tudo, de negligência colectiva? Não há forma de resolver esta espécie de desprezo por um bem maior, sendo mais fácil licenciar negócios náuticos do que acautelar tragédias? E já agora, a época balnear numa ilha como a nossa, visitada por turistas vindos do frio, vigora sempre que o tempo aconselhar e os banhistas alinharem ou apenas por decreto?
5. É raro o dia em que não haja notícia de assaltos, alguns deles violentos, a deixar marcas e a gerar preocupações. A quem serve o pânico e o fingimento? Para quando mais segurança pública, já que a privada, penalizada pelos calotes diversos, tende a ser onerosa? De que está a PSP à espera de se fazer notar, tendo mais agentes na rua do que entregues à papelada e à burocracia, tarefa que bem podia ser desempenhada por outros profissionais? E quem aborda seriamente o tema? O DIÁRIO vai fazê-lo na próxima quinta-feira em mais uma edição de ‘Ideias que ficam’. Se tem contributos a dar não hesite, participe. Ou será que também pensa que nunca será vítima?