Luís Gomes Os senhores professores estão em luta, nomeadamente contra a integração no regime de mobilidade especial, contra a aplicação de um horário de trabalho semanal de 40 horas e, não o escondem, pela demissão do Governo. Até aqui nada de novo. Os senhores professores parecem estar sempre em luta contra alguma coisa, talvez porque mudam os governos e mudam os ministros da educação mas raramente mudam os dirigentes sindicais, particularmente os que têm carreiras com 30 ou mais anos, mas passaram os últimos 20 como sindicalistas e sem dar uma única aula. O que, em boa verdade, os torna muito mais profissionais do sindicalismo e da “luta” que professores. Talvez por isso esta necessidade de alimentar conflitos ao invés de procurar consensos e, muitas vezes, aparentando servir uma “agenda” que nada tem a ver com os interesses da classe que dizem representar. Os senhores professores estão a perder direitos que tinham por adquiridos, sentem-se injustiçados, receiam o desemprego e têm razões para estar descontentes. Como têm quase todos os portugueses, pelas mesmas ou diferentes razões, o que faz parecer absurda qualquer distinção entre portugueses contentes e descontentes, parecendo mais ajustado fazê-lo entre portugueses conscientes ou inconscientes, responsáveis ou irresponsáveis, e, diz-nos a experiência, que em matéria de responsabilidade algumas correntes sindicais são péssimas conselheiras. É o que se conclui perante apelos à greve feitos à porta de fábricas ou empresas quase falidas ou, quando escolhem a dedo a data de uma greve, com o objectivo de provocar o maior prejuízo financeiro possível. Ninguém esperaria que os senhores professores agendassem uma greve para o longo período de férias de Verão, nem para as férias do Carnaval, Páscoa ou Natal. Mas bem poderiam evitar fazê-lo numa época de exames, em que os principais lesados são os alunos. É absurdo que um professor passe um ano lectivo a ensinar e a preparar os seus alunos para um exame e “boicote” esse momento, fazendo greve no dia em que o mesmo estava agendado. É como se um treinador de atletismo “rasteirasse” o seu atleta quando este se apresta para cortar a linha de meta. Inconcebível! O sucesso de uma greve é sempre medido pela adesão, e, erradamente e muito irresponsavelmente, pela dimensão do prejuízo que provoca, percebendo-se que foi precisamente por esta última razão que os sindicatos convocaram a paralisação para uma data que estava há muito tempo reservada para a realização de exames. Esperar-se-ia no entanto que os senhores professores evidenciassem outro sentido de responsabilidade e tivessem um comportamento cívico diferente, escolhendo formas de luta em que os prejudicados não fossem precisamente os seus alunos e as respectivas famílias. Talvez por isso, vêm agora afirmar que o Governo poderia ter alterado a data dos exames e desta forma e com este cinismo dar uma “lição” aos seus alunos: sejam “manhosos”, não assumam as consequências dos vossos actos, endossem a responsabilidade aos outros! Lamentavelmente, não foi a única “lição” que os professores que aderiram à greve deram aos seus alunos e a todo o país. Também mostraram que quando se trata de defender os seus interesses, os “fins justificam os meios”. E que meios... Tenho muito respeito e admiração por inúmeros professores, sei como é difícil e exigente a sua profissão, conheço alguns que são verdadeiros heróis nas respectivas escolas, pelas condições difíceis em que trabalham, pelos apoios que não têm, pela dedicação aos seus alunos. Nenhum merecia ver-se envolvido nas tristes “lições” de um qualquer “Nogueira”!