Aceitei o desafio de colaborar mensalmente com o Diário de Notícias da Madeira porque é um órgão de comunicação social da região com uma visão pluralista, embora pese os mais recentes despedimentos que empobreceram também a secção cultural com a ausência do jornalista Luís Rocha. Não devemos impôr a ninguém os nossos pensamentos, mas todos temos o direito de nos expressarmos e o maior exemplo de democracia é o diálogo sincero, onde cada pessoa possa dizer o que pensa, independente da concordância de quem ouve. Infelizmente a liberdade de expressão na nossa região encontra-se moribunda porque quando no mundo das artes também se oculta, também se derruba sem olhar a meios é um ótimo exemplo de como estamos perante a falta de uma verdadeira cultura democrática. Na exposição “A duas velocidades“ inaugurada em Março de 2013 no Centro das Artes Casa das Mudas, o trabalho do artista Rigo 23, no dia da inauguração foi apresentado dentro da embalagem que serviu de transporte à obra, o que revelou por parte da organização e pelos respectivos comissários um desleixo profissional propositado, supostamente, para agradar o nosso deus. Como dizia o escritor Peruano Mário Vargas Llosa “Algo anda mal na cultura de um país se os seus artistas, em lugar de se proporem mudar o mundo e revolucionar a vida, se empenham em alcançar protecção e subsídios do governo” Em jeito de conclusão gostaria de referir e homenagear um grande artista chinês Ai Weiwei, considerado um dos artistas mais conceituados no mundo das artes visuais que esteve preso e proibido de sair do seu país por defender a essência da vida: a liberdade de expressão.

Patrícia Sumares Professora