A Rede de Excelência dos Territórios Insulares (RETI) foi criada em 2010. Integram actualmente esta rede um conjunto de universidades tão diverso em termos de localização geográfica e de contextualização cultural e socioeconómica, que constitui um bom exemplo de ousadia para a colaboração produtiva em programas conjuntos. A segunda reunião dos reitores da RETI teve lugar na nossa Universidade, em Julho de 2011, facto que se revelou de uma importância decisiva para o programa de integração da UMa em programas institucionais mais alargados. Recorde-se que a RETI circunda parte do planeta, desenhando um percurso interuniversitário que, conforme as preferências e a título de exemplo, pode ir de ilhas gregas, italianas, espanholas, francesas e portuguesas até ilhas tão longínquas como Okinawa (Japão) ou Taiti. Pelo meio ficam ainda outras universidades insulares como as de Porto Rico (EUA), Ilha do Príncipe Eduardo (Canadá), Cabo Verde, Cienfuegos (Cuba), e Antsiranana e Antananarivo (Madagáscar). Esta brevíssima referência serve para enquadrar o trabalho já realizado e louvar a capacidade de procurar outros caminhos para a internacionalização da Universidade. Irá realizar-se nos próximos dias 20 e 21 de Junho, na Universidade de Sassari, na Sardenha, o Simpósio da RETI, subordinado ao tema “Os Mares das Ilhas” e também a reunião para a eleição do presidente da RETI, para a qual se candidatou o reitor da Universidade de Las Palmas. Neste encontro, interessa particularmente a identificação das insularidades com o mar, numa clara resposta a desafios que têm sido lançados tanto pela União Europeia, através de programas específicos, como por outros actores do tecido socioeconómico. Refira-se, a propósito, que foi precisamente o Mar o tema central da VII Conferência Anual do Turismo, promovida pela Ordem dos Economistas e realizada no passado dia 3 de Maio, no Funchal. Ainda em matéria de insularidade, a Universidade da Madeira, através do Centro de Competência de Artes e Humanidades, realizou, no pretérito ano lectivo, o I Colóquio “Identidade e Política” e, em colaboração com a Associação Portuguesa de Estudos Franceses, o Congresso “As Possibilidades de uma Ilha”, os quais caracterizaram e polemizaram tópicos estruturantes da mundividência insular. Há, portanto, muitas oportunidades para as ilhas se assumirem dinamicamente em processos de reflexão, de investigação e de investimento, que requerem das universidades o préstimo da experiência e da massa crítica. Existe também todo um conjunto de acções que, em associação com identidades regionais, pode resultar na organização de conferências, no intercâmbio interuniversitário de professores e alunos, no estabelecimento de parcerias para a organização conjunta de cursos e na cooperação em projectos de investigação científica. No quadro do lato espectro dos saberes e da sua aplicação tecnológica e cultural, em áreas específicas e de comum interesse, não deve ser esquecida a necessária projecção continental e global. Com as estruturas existentes e com a apresentação de propostas para financiamento, tanto no âmbito de programas da União Europeia, como em parcerias com programas internacionais, poderemos criar oportunidades para todos quantos queiram participar numa solução diferente, mas indelevelmente propiciadora de aproximação ao nosso carácter identitário. Uma ilha será sempre um afloramento, nunca uma marginalidade. * Vice-reitor da Universidade da Madeira
Sílvio Fernandes *