Manuel João Rosa Todas as vilas nasceram e cresceram a partir da sua igreja matriz e o mesmo aconteceu na única cidade situada a norte. No entanto, a partir de determinado momento, a autarquia decidiu que todas as manifestações, culturais e outras, passassem a ser feitas junto à Câmara com excepção das de carácter religioso, por motivos óbvios. Nada contra, só que se exagerou porque nada mais se fez junto à igreja e, lentamente, o antigo centro da vila ficou abandonado, provocando a sua morte comercial. A alteração tem ainda outro senão – o espaço junto à Câmara não é suficiente nem adequado à realização de quase todas as manifestações que lá se realizam. Para solucionar estes constrangimentos surgiu um projecto megalómano, que pretende ampliar a área em volta da Câmara, o qual implica a necessidade de elevados recursos financeiros, que não abundam nos tempos que correm, além do que não resolve a questão de fundo – o respeito pelas raízes da origem da freguesia. Para revitalizar o verdadeiro centro da cidade poder-se-ia tomar algumas medidas tais como: 1º Recolocar o coreto da música dentro do adro da igreja (local de origem) e, no espaço libertado, colocar um palco que permita as manifestações que actualmente são realizadas junto à Câmara. 2º Ampliar a vila utilizando os espaços disponíveis atrás do Hotel do Colmo (ribeiro com lagoa) e da casa paroquial (espaço que se estende até à antiga Junta de Freguesia). 3º Voltar a plantar hortênsias e buxo, entre outras plantas locais, em todos os caminhos e ruas (não esquecendo a subida para as Queimadas). 4º Revitalizar o jardim abaixo da igreja devolvendo-lhe o encanto de outrora. 5º Dar outro traçado mais rectilíneo (apenas dois lanços em recta) à estrada sinuosa que liga a Escola Secundária à vila e prolongá-la até ao Hotel do Colmo. 6º Demolir o edifício onde estava a Junta de Freguesia e idealizar algo novo para o espaço criado (praça /rotunda?). 7º Recolocar (se possível) o empedrado tradicional na vila e na subida para as Queimadas. 8º Idealizar e implementar algo que valorize o largo situado em frente à Caixa Geral de Depósitos, espaço que dá a sensação de abandonado. 9º No âmbito da Biosfera, pensar a questão dos animais abandonados situação que não encaixa naquele estatuto e é detestada pelos turistas. Santana poderia ser pioneira na solução correcta deste problema investindo na esterilização das cadelas e gatas, sobretudo as abandonadas, em vez de apostar num canil municipal que só servirá para aumentar os gastos da autarquia. 10º Construir capela adequada, dentro ou junto ao cemitério, que evite os funerais apeados, entre a igreja e o cemitério, espectáculo nada condizente com o estatuto de cidade. Apostar na diferenciação, que era outrora a vantagem comparativa de Santana (baseada em elementos típicos e históricos) e não ceder à tentação de imitação de modernismos que descaracterizam a sua identidade, parece-me a estratégia mais adequada. Imprescindível será também a elaboração de um plano de urbanização da vila, que sirva de base às decisões da autarquia (evitando-se erros futuros difíceis de corrigir) e que só deverá ser implementado após discussão pública.