Esta frase foi pronunciada por Joe Sultana, perito do Conselho da Europa para as questões relacionadas com a conservação da natureza, em plena caminhada no topo da Deserta Grande. Originário de Malta mas, acima de tudo, um cidadão do mundo, com a sabedoria dos seus 73 anos, cimentados por uma vida repleta de viagens por destinos considerados ex libris naturais, o seu comentário assume uma força inusitada. A pergunta impõe-se: quantos madeirenses conhecem as Desertas? A extraordinária beleza natural das ilhas que compõem as Desertas, nomeadamente o Ilhéu Chão, a Deserta Grande e o Bugio, aliada à biodiversidade destas, seja no mar, seja em terra, compensa a dificuldade para lá chegar. Com o Lobo Marinho como porta estandarte do trabalho de conservação efectuado nas Desertas, é igualmente importante que a população compreenda a importância desse esforço e de como ele pode contribuir para o nosso futuro bem estar. Pessoalmente, tive o privilégio de visitar estas ilhas por várias vezes, sempre com as actividades náuticas como mote, numa clara demonstração de como o desporto pode constituir um veículo de descoberta, daquilo que melhor temos e fazemos no arquipélago. Assim sendo, é fulcral que se continuem a promover eventos e actividades de carácter desportivo em espaços naturais. O sucesso desta interacção, depende de todos nós. Dos praticantes, respeitando as condicionantes destas áreas, não desequilibrando o, muitas vezes frágil, ecossistema. Das entidades responsáveis por estes espaços, incentivando e simplificando o acesso das populações aos mesmos, mas sempre com uma componente educacional subjacente. Acredito que desta forma, estar-se-á a contribui para o alicerçar da nossa cultura de natureza. Fundamental num espaço como o Arquipélago da Madeira.
João Rodrigues