Com «a maior das latas» o FMI elaborou um documento onde admite vários erros básicos no seu plano de resgate para a Grécia. Reconhece, por exemplo, que a Grécia nunca teve – nem tem, digo eu – condições para pagar a sua dívida. Apesar disso o FMI fez um cenário de fantasia irrealista num País em ruinas e aplicou um Plano de Resgate. Eu já escrevi que a Grécia chegou ao ponto que chegou por culpa própria. O mesmo se aplica a Portugal e a outros resgatados ou em vias de serem. Fomos países governados, nos últimos anos, por uma mistura explosiva de políticos incompetentes, corruptos, vadios e alguns (poucos) bem intencionados. O resultado só poderia ser: estarmos falidos e de mão estendida a pedir, humilhantemente, esmola. No entanto apesar de sermos (gregos, portugueses, irlandeses, espanhóis, malteses e outros) os grandes responsáveis pela nossa própria desgraça, a verdade é que se exige às organizações internacionais muito respeito e responsabilidade por todos estes Países. Estamos a falar de Países com Histórias impressionantes como são os casos de Portugal e da Grécia. O FMI e outras organizações têm a obrigação de não errarem nos seus Planos já que estão em causa coisas muito sérias: a vida de milhões de pessoas e o futuro de Países historicamente muito importantes. Que técnicos são estes (pagos principescamente) que cometem erros básicos? E agora? Depois da experiencia mal sucedida o que vai o FMI fazer às cobaias gregas? Que confiança podemos ter, nós portugueses, em relação ao FMI se a receita aplicada a Portugal é semelhante à da Grécia? A greve dos professores Felizmente estamos num Estado de Direito e Democrático onde se pode fazer greve. Temos todos direito a expressar desta maneira o nosso descontentamento. No entanto a greve dos professores marcada precisamente para o período de exames dos estudantes é lamentável. Vê-se que foram escolhidas as datas onde se causam mais danos. Infelizmente as vítimas serão os estudantes num período onde deveria reinar a serenidade pois está em causa o momento mais importante da vida de um estudante: a decisiva avaliação anual. Não haveria outro momento para a greve? Deveria haver. Ficava bem aos próprios professores. Prémio a Hollande pela guerra no Mali A esquerda europeia tem destas coisas. O Presidente francês foi condecorado com o Prémio Félix Boigny pelo seu papel na guerra no Mali. O Prémio Boigny serve para distinguir a Paz. Os anteriores laureados foram Mandela, Xanana e Lula da Silva. A esquerda europeia aplaudiu a entrega, este ano, a Hollande. De facto a França fez muito bem em ter feito uma intervenção militar no Mali para desalojar (conseguiu?) os extremistas islâmicos. Até aí penso que o aplauso é merecido. Agora chamar esta intervenção militar de Paz e ainda por cima laurear um francês que se opôs, por exemplo, à guerra contra Saddam e a outras intervenções norte americanas… Fica-se com a ideia que uma guerra feita pela Esquerda é sinónimo de Paz e uma guerra feita pela Direita é “uma intervenção inadmissível na Soberania de um País”. Onde está a coerência? Livro “As raízes do mal, a troika e o futuro”. Trata-se de um livro obrigatório para quem se interessa pela economia, em particular, e pelas reformas necessárias para Portugal. O autor é o deputado Miguel Frasquilho. O livro apresenta sugestões, dados, avaliações e críticas. Tudo fortemente fundamentado por quem vai ao cerne das questões. Miguel Frasquilho fala da crise do Euro, de educação, produtividade, politica fiscal, competitividade entre outros temas. Muito interessante e estimulante para quem gosta de refletir sobre estas matérias que nos dizem respeito.

Paulo Neves