Acrise que o sistema bancário enfrenta, bem como a própria dinâmica das economias avançadas, tem levado a que mecanismos clássicos de financiamento empresarial, como é o caso dos empréstimos bancários, sejam cada vez menos uma opção a que as empresas recorrem na hora de financiar os seus projectos de investimento ou de fazerem face a dificuldades de tesouraria. Em Portugal, têm ganho um novo fôlego os chamados ‘instrumentos de engenharia financeira’ e outras opções disponíveis no mercado. Na minha opinião, esta mudança de paradigma já peca por tardia uma vez que em países com economias mais competitivas, indústrias como o venture capital, business angels ou private equity têm bem maior expressão, e o financiamento de longo prazo através da emissão de acções e obrigações também é mais usual. Isto confere a essas economias uma maior flexibilidade e não bloqueia o crescimento em tempos de pouca liquidez do sistema bancário. Estas soluções permitem que investidores particulares coloquem o seu capital em empresas que não têm verbas suficientes para arrancarem ou se expandirem, viabilizando assim determinados projectos. Uma actividade bancária sólida e que permita a concessão de crédito às empresas é essencial para o desenvolvimento das economias, contudo, no caso das empresas não-financeiras portuguesas, a sua exposição excessiva à banca, que não só as deixa com um fardo de juros insuportável, como também traz grandes dificuldades burocráticas. Esta transformação no financiamento deverá ser estimulada por políticas públicas e acompanhada, sempre que possível, pela opção de retenção de lucros nas empresas para financiamento de novos investimentos, ao invés da recorrência sistemática a capital alheio.

Rafael Freitas