No Porto Santo, por estes dias, discute-se muito a “coragem”. Dos seus muitos significados, retenho o da bravura; intrepidez; ousadia; energia na execução de uma tarefa difícil; perseverança. A discussão centra-se no saber afinal quem são os mais corajosos? Aqueles que ousaram trocar de projeto político, em nome da imperiosa mudança de estratégia para a sua ilha, ou aqueles que dão a cara em tempos duros, arcando uma pesada herança deixada na Câmara, qual presente envenenado? Atrevo-me a dizer que é necessária coragem em ambos os casos. Contudo, e perdoem-me a franqueza, julgo que foi preciso ainda mais coragem para em tempos não muito longínquos, dar a cara pela oposição, em nome da nossa terra e das nossas gentes, em prol do debate democrático e da participação cívica, combatendo uma máquina partidária bem oleada, forte, que dizimava uma oposição humilhada e ameaçada. Agora que o poder absoluto está a implodir, qual barco a afundar, faltará coragem a muitos. Alguns, entretidos com as vistas dos desprezados miradouros, fingem fazer vista grossa à autêntica sangria que ocorre nas suas hostes partidárias. Outros ainda, irão experienciar o que é ousar pensar diferente e as consequências desse “atrevimento”. Não estarão sós. Há sempre algum temerário do nosso lado por mais penoso que seja o caminho. E o Povo será o maior dos corajosos, porque terá a audácia de mudar. Do latim coraticum, pelo provençal coratge, pelo francês courage, a coragem vem sempre do coração. E o nosso é grande!
Renata Sousa