Num país onde todos os dias são notícia mais ataques à dignidade dos cidadãos, onde há crianças que vão para a escola com fome porque os pais perderam o trabalho e onde se perde a esperança de o recuperar porque o governo toma medidas deliberadas de destruição do emprego, onde há gente de todas as idades que vai morrendo devagar e em silêncio porque a doença não pode ser aliviada por falta de dinheiro para pagar taxas moderadoras e medicamentos, onde os jovens não se atrevem a fazer planos porque só lhes é dada precariedade laboral, exploração e salários de miséria, onde, por todo o lado, não há justiça nem paz porque impera a impunidade de um poder que só serve os interesses da sua clientela, os professores uniram-se em torno de uma reivindicação que está para além dos interesses meramente corporativos, a defesa da escola pública de qualidade. A luta dos docentes é um exemplo de cidadania denunciando que o ataque que lhes está a ser dirigido só tem um objectivo, o de acabar de vez com uma escola pública de qualidade para todos, pilar da Democracia e do desenvolvimento do país. Por aqui e mais uma vez, o governo regional age como um necrófilo alimentando-se da miséria que criou. Aproveitou o comboio de Crato e afrontou, sem pudor, a dignidade dos professores que todos os dias, em situações muito complicadas, dão o seu melhor pelo sucesso dos alunos. Por isso, hoje estou em greve! Contra a degradação da escola pública na Madeira, contra a afronta brutal imposta pela secretaria regional com o roubo de salários e a imposição de uma avaliação de desempenho sem credibilidade sustentada no “faz de conta”, contra o aumento da carga horária e do número de alunos por turma que tornará o trabalho impossível, contra o despedimento de milhares de docentes na região e a favor de uma educação de qualidade para as crianças e jovens do Porto Santo e da Madeira. Com a greve os professores querem resgatar o futuro das gerações mais novas, um futuro tornado refém por governos de cá e de lá que continuarão o seu crime contra a pátria se não nos unirmos como trabalhadores e portugueses e não exigirmos alternativas: no dia 27, na Greve Geral, teremos oportunidade de mostrar coragem ou optar pela cobardia dos que só esperam.

Isabel Cardoso