Em 1963, Hannah Arendt publicou um livro chamado ‘Eichmann em Jerusalém, um relato sobre a Banalidade do Mal’ escrito na altura do julgamento deste criminoso de guerra Nazi. Eichmann foi acusado de crimes contra a humanidade por preparar a logística necessária que permitiu movimentar milhões de judeus até os campos de concentração e referiu durante o julgamento que não sentia culpa ou ódio contra os judeus, nem assumia as responsabilidades do seu envolvimento nestas atrocidades porque estava apenas a fazer o seu trabalho e cumprir as ordens recebidas pelos seus superiores hierárquicos. Eichmann era um burocrata medíocre, comum, superficial e incapaz de pensar de forma crítica. Estava apenas “integrado no sistema” e agiu sem reflectir sobre as suas acções. Não é semelhante ao que acontece hoje em dia? Quando não utilizamos o nosso espírito crítico, somos tão malignos como Eichmann foi. Hoje podemos investigar, questionar, confrontar e procurar informação de forma independente e virtualmente ilimitada. É possível questionar criticamente toda a informação que recebemos independentemente da sua fonte. Infelizmente, os estímulos provenientes de ‘reality shows’ banais, música pimba e notícias negativas repetitivas parecem querer abafar esse pensamento crítico e tornar-nos um exército de Eichmanns, capazes de aceitar passivamente qualquer atrocidade apenas porque perdemos a capacidade de pensar criticamente sobre nós e questionar os motivos dos decisores desta nova ‘Aldeia Global’.
Roberto Macedo Alves