Há uns anos, Herman José dizia num dos seus programas que “o verdadeiro artista” era isto, ou aquilo. Lembro-me, na altura, de achar que se ser artista era assim, me parecia demasiado improvisado para ser sério. Estava esta semana a pensar que uma das qualidades mais difíceis de atingir era o profissionalismo. E tendo chegado de forma mais ou menos instintiva a esta conclusão, pus-me a pensar no que fazia um bom profissional. Um bom profissional é aquele que faz bem o seu trabalho. Mas, mais do que isso, que o faz bem de uma forma consistente, recusando o improviso, e evitando – sempre que possível – o “desenrasque”. E este raciocínio levou-me um passo mais longe no conceito de bom profissional: para além de tudo o que o profissionalismo tem de intrínseco ao profissional, também há uma componente que o ultrapassa. O profissionalismo ultrapassa a esfera do trabalhador, e chega também aos que com ele contactam. Se ele tem de ter espaço para ser um bom profissional, também tem a obrigação de dar este espaço às pessoas que operam nos mesmos espaços e com os mesmos públicos. Por outras palavras, é preciso que as pessoas que trabalhem com os profissionais trabalhem com equipas profissionais e que os deixem ser profissionais. Recusando o improviso e o desenrasque. Que sorriem mesmo quando não estão para isso. Que prestam atenção mesmo quando estão exaustos. Que fazem o possível logo, e para quem o impossível demora apenas mais um pouco. E que fazem isso por todos os clientes – mereçam ou não. Profissionalismo é para mim uma das melhores características que podemos ter, como profissionais. É viver o nosso trabalho como se este fosse a nossa vida. E vivê-lo como se este, e esta, mereçam mesmo ser vividos. O profissionalismo é a base da qualidade, no turismo como em todos os sectores. Vamos todos ser bons profissionais, para bem da nossa região.

Roberto Loja