Espero um pouco, sento-me e tento pensar nas minhas mais recentes memórias adquiridas. Contudo, sinto que até a minha memória me trai, construindo um labirinto com vários caminhos. Já passaram alguns meses e não me lembro sobre o que escrevi anteriormente. Apenas sei que foram figuras pintadas, umas palavras aqui e outras ali, as figuras que o vento já não leva e que ficaram registadas no papel, mas que na lembrança e no pensamento já se diluíram. Luto contra o esquecimento, na tentativa de rememorar as palavras que um dia ganharam vida numa simples folha de rascunho de papel. Agora, as figuras pintadas de outrora, que figuram a escrita, fazem parte das recordações no baú das memórias do passado. Será que podemos viver o presente e o futuro, sem termos em conta o nosso passado? Julgo que não, porque é vislumbrando o passado que evoluímos enquanto pessoas de uma comunidade e como povo pertencente a uma nação. Sem passado não teríamos História, e sem os momentos históricos não seríamos um povo com uma cultura própria. Uma nação forte, que está perante um precipício, pondo em causa os nossos sonhos e esperanças para a construção de um melhor futuro. Por conseguinte, refugio-me nas palavras. Elas não me irão trair, tal como as minhas memórias outrora fizeram.
Filipa Silva, Colaboradora da AAUMa