Castro Verde realizou o IV Encontro de Violas de Arame. 7 Tocadores, 7 violas e 7 regiões: Minho, Beira Baixa, Alentejo, Madeira, Açores, Minas Gerais (Brasil) e Paraná, Ilha dos Valadares, no sul do Brasil. O Encontro foi realizado no Conservatório Regional do Baixo Alentejo, durante os dias 27 e 28 de abril. Para nos dar as boas vindas, o Presidente da Câmara de Castro Verde, também arquiteto, e responsável pela requalificação da antiga fábrica de moagem no moderno e bem equipado conservatório da vila alentejana. O diretor da instituição, igualmente presente, salientou o facto da designação do ''R'', de regional, ter a ver com a missão do conservatório - colocar a região em primeiro lugar. Uma sala cheia acolheu a conferência com os 7 tocadores e as diferentes violas. Músicos, musicólogos, praticantes e interessados no evento vieram de todo o país. Aos tocadores juntaram-se Tiago Pereira (realizador), que apresentou o seu projeto «a Música Portuguesa a gostar dela própria»; José Moças da editora TRADISOM, deu a conhecer as recolhas de Michel Giacometti no Alentejo dos anos 60/70, restauradas agora em DVD; Orlando Trindade (construtor de cordofones) falou dos seus instrumentos e apresentou-os em exposição. Todo o evento foi filmado, cada músico gravou 2 músicas e os 7 tocadores fizeram um concerto que foi registado na íntegra.Com o patrocínio da Antena 1 e RTP, o programa Praça da Alegria deu o mote na véspera do evento. Outras rádios locais associaram-se com transmissões em direto. Em Castro Verde, a viola é ensinada na Escola Secundária. Um grupo de alunos participou no concerto final. O Trio Campaniça, orientado por Pedro Mestre, o grande obreiro deste encontro, abriu o espetáculo no Cine-teatro da vila, repleto de gente atenta e musical. Ainda no palco, logo que o concerto terminou, o presidente da câmara, abraçou-nos, um a um, agradecendo a presença. Todas as despesas de alojamento, alimentação, transporte a partir de Lisboa e as passagens aéreas, 2 do Brasil, 1 da Madeira e 1 dos Açores, foram pagas pela Câmara Municipal de Castro Verde. Os cachets dos músicos foram assumidos pela Associação de Cante Alentejano. Tudo correu muito bem! Ainda me lembro da primeira vez que lá fui (2009) e do que alguém me disse por aqui, em relação à Câmara: «Tenha cuidado, aquilo é terra de comunistas».

Vítor Sardinha, Músico