Assistiu-se a mais uma cena do folhetim austeridade da autoria de Vitor Gaspar, realização de Passos Coelho, personagens povo português tendo como actores principais, os trabalhadores da administração pública, pensionistas e aposentados. O país não sabe qual é a reforma que se pretende realizar para a sustentabilidade de Portugal como país independente e soberano, capaz de traçar os caminhos que mais interessam ao nosso futuro. Mas já sabemos onde o Estado vai cortar sem o mínimo de critério ou assente num plano a médio prazo que defina duma forma clarividente qual o papel que se deseja do Estado para dar cumprimento às necessidades reais dos portugueses. Nada disso é apresentado, fica para depois, uma vez que o que interessa é cortar e reduzir a despesa pública a todo o custo mesmo que implique maior empo-brecimento das famílias e do país. Os novos cortes enunciados pelo governo incidem com maior predominância nos trabalhadores da administração pública, nos aposentados e pensionistas numa perseguição sem precedentes. Mês a mês aumenta a ansiedade dos portugueses pois são sempre anunciadas medidas que os penalizam ainda mais sem que desse facto resulte qualquer benefício para os portugueses e país cuja situação se tem vindo agravar como revelam os últimos dados económicos com aumento da recessão para além do valor das previsões feitas e do desemprego sempre a crescer que será agravado com o despedimento de trinta mil trabalhadores da administração pública. Todos sabemos que não vamos conseguir cumprir as metas do déficit orçamental nem neste e nem no próximo ano pois sem políticas que incentivem o investimento e o crescimento económico nunca sairemos da crise o que inviabiliza aquele objectivo. Cito, Paul Krugman, «As hipóteses de uma verdadeira viragem nas medidas politicas adotadas, virando as costas à mania da austeridade dos últimos anos e rumando em direção a uma renovada atenção à criação de emprego, são muito mais válidas do que a sabedoria convencional nos quer fazer acreditar.» Mais palavras, para quê? Impõe-se uma viragem imediata e fim do folhetim. Queremos mudança séria e coerente que nos ajude a sair rapidamente desta terrível crise que só alimenta os grandes grupos financeiros e os credores.
José Manuel Oliveira