O final de uma época futebolística não define apenas as equipas campeãs e as que falharam os seus objectivos. É também altura para avaliar os líderes dessas equipas, no balanço a teimosias, apostas, estratégias, tiradas oportunas ou ridículas ou outro tipo de jogadas psicológicas. Como seguidor de vários campeonatos e de várias equipas, acho interessante arriscar uma avaliação a vários treinadores quando ainda falta decidir muita coisa por essa Europa fora.

Alex Ferguson – Completa 27 anos de liderança firme e ininterrupta num dos maiores clubes do mundo. Despede-se com mais um título de campeão na Premier League, fiel a um estilo de jogo e uma forma de estar no futebol que deixa muitos ensinamentos. Ninguém pode esquecer a sua enorme influência no ‘amadurecimento’ de Cristiano Ronaldo, trajecto fundamental para o estatuto que o madeirense ostenta hoje.

José Mourinho – Continua a ser o maior, mesmo não tendo conseguido o objectivo de ser campeão europeu este ano. Dentro de semanas deixa Madrid e na mesma altura muitos madridistas começarão a ter saudades dele e da sua firmeza, num clube historicamente muito vulnerável a displicências de estrelas. Sempre frontal e honesto, enfrentou a série de ‘prima donnas’ que esta época decidiu pavonear-se no Real Madrid, depois de terem ganho La Liga na época passada. A gestão perfeita do caso Casillas é capaz de fazer escola; a lição a Pepe ficará na memória dos jogadores inteligentes.

Jupp Heynckes – Tal como Alex Ferguson, deve estar a anunciar a sua despedida. Provavelmente fá-lo-á quando erguer mais uma Liga dos Campeões, dia 25 de Maio em Wembley. Colocou o Bayern de Munique a discutir a hegemonia mundial do Barcelona, depois do ano passado já ter estado na final da Liga dos Campeões. Deixa uma tarefa árdua ao catalão Pep Guardiola, obrigado a fazer igual. No longínquo ano de 2000, nas vésperas do Euro, consentiu a saída de João Pinto e de Nuno Gomes do Benfica de Vale e Azevedo, numa decisão corajosa, fria e acertada.

Jorge Jesus – Há treinadores sem nível nem estofo suficientes para a grandeza de determinados clubes. É o caso. Num clube como o Benfica exige-se que um treinador saiba arquitectar ideias e que depois tenha capacidade para transmiti-las quando tem um país inteiro a escutá-lo todas as semanas. Dentro de campo, agarra-se a umas teimosias que deram certo – e alguns milhões em transferências – para continuar a insistir em erros de casting. Como o caso de Melgarejo. Depois, como não tem estatura intelectual para ‘começar’ um jogo com a antecedência de três ou quatro dias, acobarda-se sempre que lhe aparece um adversário que lhe impõe respeito. Tem medo e isso nota-se naquilo que gagueja e quando ordena aos seus jogadores para jogarem para o lado e para trás. Os resultados estão à vista: nunca ganhou nada de jeito, a Liga de há três anos caiu do céu porque o FC Porto ‘desistiu’ duas vezes da prova e foi preciso esperar pelos últimos minutos desse campeonato para suplantar o Braga. De resto, sempre que é preciso ganhar um jogo importante, Jesus falha porque tem medo e não transmite nenhuma confiança, nem aos jogadores nem aos adeptos. Veja-se só o que vai acontecer este sábado, frente ao FC Porto...

Poder-se-á acrescentar algumas referências a Vítor Pereira, treinador do FC Porto, mas isso seria baixar demasiado o nível. Está num clube onde a influência do treinador é pouco mais que residual. E tanto assim é que o clube pode esperar um ano ou dois para mandá-lo embora. Dá sempre tempo. É num clube assim que Jorge Jesus teria sucesso: onde o dispensassem de falar e de traçar objectivos. É bem provável que aconteça.