Albertina Rodrigues Há uns tempos atrás, fiquei toda entusiasmada ao ouvir as promessas dos novos messias deste País, que quase me comoviam com as suas promessas na defesa do povo, e convictamente prometiam melhores condições de vida para todos e muito particularmente para os jovens, já que tendo nascido numa era democráica e muito "desenvolvida" teriam um futuro melhor... Entre as muitas coisas que ouvi no auge da mudança, há uma frase que retenho na memória : " não haverá mais filas para..."- referiam-se a um produto alimentar mais barato. E eu ingénuamente acreditei! E como eu com certeza muitos outras pessoas acreditaram num futuro melhor para todos e muito particularmente para os jovens, até porque já "tinham mais estudos". Perante o meu entusiasmo e ingenuidade, o meu pai, homem sem nenhum curso além da experiência de vida, respondia-me: "ah rapariga, tu pensas que os ricos vão deixar de ser ricos e os pobres deixar de ser pobres?!" E eu quase me sentia ofendida com aquela conversa tantas vezes repetida. Mas passada a euforia das promessas, vejo como tinha razão! As pessoas hoje não fazem filas para comprar produtos alimentares mais baratos, mas sim para matar a fome! Os jovens frequentaram a escola por muito mais anos e em muitos casos com muito sacrifício dos pais, para afinal ficarem no desemprego ou terem de deixar a família e o País à procura de melhor sorte. A pobreza era coisa do passado. Deixou de haver pobres a bater à porta das pessoas a pedir uma esmola "por amor de Deus", agradecendo depois com : "Nosso Senhor lhe pague." Em vez disso fazem filas em locais públicos por um prato de sopa! Parece que políticos e afins se esqueceram que a dignidade do ser humano não tem cor política, nem estatuto social, mas está na esducação e carácter de cada um. A situação actual faz-me lembrar o título dum filme que há decadas fez sucessos nas salas de cinema: "e tudo o vento levou." Mas resta-nos perguntar: mas para onde?