Escrevo este artigo alguns dias após o Dia Internacional do Trabalhador que, perante os últimos números avançados de 17,5% de taxa de desemprego em Março (Eurostat) e o nível de emprego mais baixo nos últimos 27 anos (Instituto Nacional de Estatística), ameaça transformar-se rapidamente no "dia do desempregado". Perante este cenário desolador, é de saudar o impacto positivo que a criação de novas empresas tem provocado no mercado de trabalho nos últimos anos. Com efeito, um estudo recentemente efectuado revela que as empresas jovens foram capazes de gerar 46% do novo emprego, no período compreendido entre 2007 e 2011. A criação destas empresas permitiu atenuar a situação laboral em que país se encontra e, estas, já representam 35% do tecido empresarial. A julgar pelos números do primeiro trimestre do ano, o crescimento deverá manter-se, dado que aumentaram as constituições de empresas e caiu o número das empresas que fecharam ou se encontram em processo de insolvência. Mesmo com a conjuntura actual, 27 mil empreendedores estreiam-se no mercado anualmente e, mesmo considerando que alguns deles enveredam por este caminho de modo a criar o seu próprio emprego, é preciso realçar a sua capacidade de resiliência em contrariar as dificuldades. O número de empreendedores está directamente relacionado com o crescimento económico de um país. Estes exemplos deveriam servir de suporte a um pacote de medidas que, ao invés de estagnar a economia, servissem para dinamizar este tecido empresarial, pois ainda consegue ter impacto positivo na criação de emprego.

Pedro Nunes - Economista