Uma vez mais, a Delegação Regional da Ordem dos Economistas, proporcionou-nos um espaço de reflexão de enorme qualidade. Não só pela temática abordada, o mar, mas acima de tudo, pela competência dos intervenientes. Devo reconhecer, que sobre o mar, não me considero habilitado a tecer grandes reflexões e não é sobre essa temática que pretendo debruçar-me, mas sim, precisamente, sobre a necessidade e importância de se criarem espaços de reflexão. A velocidade imprimida à nossa vida pela civilização do conhecimento dificulta-nos a tarefa de gerir em tempo útil o próprio tempo, já que vivemos um tempo de enorme precariedade associada a uma grande aceleração. Vivemos a uma velocidade vertiginosa. Vivemos numa cultura do milionésimo de segundo. Não temos tempo para perder, não temos tempo para reflectir. Não temos tempo para planear e organizar o futuro. Infelizmente, nos últimos anos, vivemos muito mais virados para a resolução dos problemas do presente, através de uma gestão por impulsos, do que para a idealização de soluções para o futuro, através de uma gestão estratégica, pela articulação das grandes ideias e projectos que devem orientar a sociedade. É, por isso, necessário criar espaços e tempos de reflexão que indiquem o rumo que deve ser seguido. É necessário existirem espaços de reflexão que, pelo seu grau de lentidão, potencializem a nossa memória colectiva, de forma a que o tempo que nos é dado viver não seja um simples desenrolar de acontecimentos, para passar a ser uma estrutura rica de relações e de projectos, de constituição de redes de cooperação para propiciar o potencial económico das regiões e a qualidade de vida, que configuram um futuro que desejamos construir. "A verdadeira viagem da descoberta não consiste em procurar novas terras mas em ver com novos olhos." Marcel Proust.

Jorge Carvalho - Professor