Da artista italiana Maria Cristina Finucci, teve lugar uma "instalação" na Sala dos Passos Perdidos da sede da UNESCO em Paris, em que a comunidade internacional reconheceu um novo Estado, com uma capital, bandeira e uma constituição. O problema do grande arquipélago convertido em Estado não se circunscreve apenas ao facto de ser um monte de lixo. Aquele projecto artístico, que compreende 16 milhões de quilómetros quadrados e a sua maior ilha é mais extensa que o Texas, é verdade que é um monte de lixo compactado. Mas, para além do projecto artístico ter um propósito político-ambiental, existe uma outra componente simbólica com particular provocação política. "Garbage Patch State", aquele novo Estado, com bandeira e até mesmo com Constituição própria, é tudo quanto queremos rejeitar, embora, nesse sentido o nosso País esteja a ser conduzido. Em contraposição a um "Estado fictício", importa resgatar a soberania. Não nos basta ter uma Constituição, uma bandeira e não ser um Estado soberano e livre. É que não queremos ser remetidos para um monte de lixo, com uma Autonomia de papel. Para contrariar o que o Governo PSD/CDS-PP de Passos Coelho e Paulo Portas estão a impor a Portugal, o que se nos coloca como grande desafio é o da defesa de uma Nação soberana. Face à crescente expropriação da soberania, perante um País cada vez mais subjugado, nunca como agora se tornou imperioso reclamar e propor um País liberto e soberano.

Edgar Silva - Deputado do PCP-M