O regime jardinista vem dando sinais contraditórios. Por pressão dos acontecimentos externos, da pressão das circunstâncias ou das tensões internas o regime lá vai 'navegando'… Devo dizer que se para a luta partidária o melhor é o regime insistir nos erros e teimar nas más decisões, já para a Madeira e para os madeirenses é claramente melhor que o regime tenha capacidade de adaptação e de mudança. Difícil, muito difícil… Estas mudanças tornam mais difícil o trabalho das oposições. Mas o resultado final será sempre mais interessante e útil para a Região. Vem isto a propósito da última Conferência anual do Turismo, da Ordem dos Economistas, dedicada ao tema Mar. Nesta conferência a surpresa foi o Secretário Regional Manuel António anunciar que a Região candidatar-se-á a Reserva Mundial do Surf. Seria a segunda região portuguesa a apostar nesta galardão, depois do caso bem sucedido da Ericeira. E será uma das poucas regiões galardoadas do mundo. Ainda bem que assim é. Mas a surpresa é total. Quem não se lembra das declarações inqualificáveis e irresponsáveis do Presidente do Governo Regional a propósito dos surfistas (pés-delcalços…), do estímulo dado ao pior da cegueira popular no caso do Jardim do Mar e dos atentados ambientais que foram algumas das obras no litoral, destruindo as ondas que a natureza criou em processos milenares? O poder laranja terá de corrigir erros de discurso e de investimentos. Se o fizer recuará mas dará um bom contributo para um negócio de crescente importância como é o surf. Este 'poder laranja do betão' que fez a Madeira perder a batalha do 'crescimento verde', com os seus atentados à natureza e ao ambiente que destruíram o melhor da identidade turística madeirense, terá condições para, agora, ganhar a batalha do 'crescimento azul' (uma espécie de 'maritimização do crescimento verde')? Dificilmente…
Maximiano Martins - Deputado do PS-M