O programa de ajustamento financeiro que o Estado português se comprometeu a levar a cabo previa, recorde-se, um conjunto de reformas que visavam melhorar a gestão e afectação dos recursos que se tornaram escassos."Portugal tem 308 concelhos, 278 no continente, 11 na Madeira e 19 nos Açores", 115 dos quais têm menos de 10 mil habitantes. Não disponho de informação para avaliar os estudos e os argumentos prós e contra que justificam ou não a maior ou menor reforma do poder local. Numa altura em que os políticos são os seus melhores comentadores, invadindo as televisões para comentários regulares e "sapientes" sobre o que os seus congéneres executam ou deviam executar, e a forma como o fazem, assumo o papel de treinador de bancada e sujeito-me a uma enorme vaia pública para questionar se já se estudou e quantificou a melhoria na gestão dos recursos que resultaria duma fusão dos concelhos da Ribeira Brava e Ponta do Sol, São Vicente e Porto Moniz e Santa Cruz e Machico, reduzindo em via extinção de 3 concelhos os encargos associados à gestão municipal. Ambicionando o estatuto de bom treinador de bancada, nem analisei convenientemente as dimensões populacionais destes concelhos, mas empiricamente parece-me a mais lógica forma de contribuir para a dita reforma do poder local. Recuso-me a assumir que está bem como está simplesmente porque "acho que sim". Atrevo-me a lançar a discussão na esperança que surjam argumentos mais fortes do que os dos pequenos partidos, pelo facto de tal reestruturação reduzir as suas possibilidade de assumirem o poder, ou dos partidos do poder pelo facto de virem a ser confrontados com guerras e quezilas internas pela escassez de lugares executivos a distribuir. Dir-me-ão que este não é o tempo para este debate pois aproxima-se um acto eleitoral. Responderei que quando não se quer nunca se encontra o momento certo para o que deve ser feito.
Rui Gomes Coelho - Economista