Chegámos ao mês de Maio, um mês de celebrações, umas mais consumistas que outras, mas a verdade é que o sol deixa de espreitar timidamente e aquece a alma de quem passa e o corpo dos banhistas, e isso pode ser motivo para uma nobre celebração. Para mim, Maio costuma ser uma celebração de cultura, uma afirmação de identidade perante a Europa, não só por estarmos a sair do mês dos cravos e da liberdade mas porque é o mês em que se organiza anualmente o Festival da Eurovisão. Este ano, Portugal não participa. A RTP não tem meios para suportar tais custos em plena crise económica. A votação do Festival da Eurovisão é meio duvidosa, estamos todos de acordo, mas não deixa de ser o nosso 'Super Bowl', o evento televisivo mais visto na Europa. Mais do que os intérpretes, uma canção, uma letra e um arranjo, o Festival da Eurovisão é um encontro de culturas, em que os Países têm a oportunidade de se afirmar como iguais através da sua cultura, intrumentação, sonoridade, vestimentas, costumes, danças enfim, uma infinidade de coisas que nos tornam unicos e que não têm preço. O que quero partilhar convosco é a minha indignação. A estação pública justifica que não tem meios para levar uma equipa, não maior que dez pessoas, viagens, alimentação e estadia à Suécia (o país que organiza o Festival este ano). Não há dinheiro para o festival, mas há dinheiro para novos programas de entretenimento em horário nobre de conteúdo duvidoso, e o que me choca é ainda haver espaço para pôr um dos homens que rebentou com as contas de Portugal a fazer comentários. Quando há países com um índice de desenvolvimento humano dos mais baixos do Mundo, com confrontos constantes no seu território e que no entanto estão presentes no certame, até digo mais pois sou testemunha disso, investem na sua participação de modo a obterem um bom resultado, isto revela o respeito que têm pela sua cultura e pelo evento. Este ano "o corpo é que paga".

Vânia Fernandes - Cantora