Manuel João Baptista Rosa Quando aderimos ao Euro perdemos a possibilidade de nos defendermos dos credores através da emissão/desvalorização da moeda que já não temos - o escudo. É, portanto, obrigação da UE defender-nos da voracidade dos mercados financeiros (credores) uma vez que estamos indefesos. Para tal, bastaria uma simples declaração do Presidente da Comissão assumindo ser a UE fiadora das dívidas soberanas dos países em dificuldades. Desta forma, o risco de incumprimento, que tanto angustia os credores, desapareceria por completo e, em consequência, as taxas de juro voltariam ao seu valor normal permitindo àqueles países o financiamento de que tanto necessitam para relançar o seu crescimento económico. Além disso seriam poupados milhões e milhões de euros, só em juros, o que permitiria baixar o défice. Trata-se de uma questão meramente política e, portanto, o nosso Governo deve atuar em conformidade, junto da UE, para que esta assuma as suas responsabilidades, defendendo os seus membros quando estes estão em dificuldades e não ao contrário. Só então terá moral para impor a austeridade necessária ao equilíbrio das nossas contas públicas, as quais deveriam ter as mesmas regras que as dos restantes países da UE - integração orçamental - um dos requisitos essenciais ao êxito da união económica e monetária. Caso a UE não defenda os seus membros em dificuldades então estes devem unir-se e impor a sua saída em bloco. Quem mais perderia seriam os estados membros ricos pois que se saiba os ricos não vivem sem os pobres. Não há que ter medo pois eles precisam de nós!