Duarte Chaves Senhor presidente. Tenho o defeito de ser sócio e só gostar do Marítimo. Nesta terra, imagine-se ao que o Marítimo chegou, isso passou a ser algo depreciativo, não está na moda, não dá status, não mobiliza ninguém. Quase tenho de pedir desculpa por apenas ter um clube - o C. S. Marítimo. Quando vou aos Barreiros, nos jogos com os ditos grandes, nomeadamente com o Benfica, sinto-me completamente deslocado. Não consigo estar lá dentro e vou-me embora. Iguais a mim existem muitos mais. Existe um enorme desagrado de muita gente afecta ao Marítimo que vão engolindo, sofrem para dentro, e que nada dizem - simplesmente não se estão para chatear e vão-se afastando do clube. Acho que isto deveria ser levado a uma Assembleia-geral onde os sócios votariam se permitem ou não, no sector da Central, este tipo de manifestação e de apoio contra o nosso clube. Perderíamos sócios? Acho que não. Sócios desses nunca se perdem. Por este caminho vamos entrar num processo de autodestruição, numa espécie de "Belenização" ou de "Unionização" do clube. Não podemos permitir que em nossa casa, seja contra quem for, exista tanta gente a apoiar equipas de fora contra o nosso Marítimo. Eu vou a Braga, a Guimarães e não consigo ir para o lugar dos sócios com uma camisola do Benfica, do Porto ou do Sporting. Muito menos na Luz, no Dragão ou em Alvalade vou eu com uma camisola do Marítimo para o local dos sócios. Porque é que aqui isso é permitido? Eu se tivesse dividido nesses jogos, por respeito ao meu outro clube, das três de uma: não ia ao jogo, ia mas não me manifestava ou então pagava bilhete e ia para o local dos visitantes apoiar a equipa de fora. Até muitos jogadores, veja-se o caso do David Simão, que é profissional, por uma questão de respeito, não festejam os golos contra as suas antigas equipas. Essa gente, embora sendo sócia, o que é mais grave, não pode ser aceite porque não tem o mínimo de respeito pelo clube. Em mais de um século de história nunca fomos tão humilhados e desrespeitados como nos tempos actuais e na nossa própria casa. Temos que nos reinventar e nos reencontrar com a nossa história, a nossa mística, identidade e cultura de clube. Para isso, na minha opinião, é necessário, como era no passado, criar um núcleo duro de verdadeiros maritimistas e crescer a partir dessa saudável base. Tudo o resto é falso e não interessa. Marque-se já uma assembleia-geral.