Moradores do Bairro da Nazaré manifestaram-se indignados com a remoção de várias dezenas de sacos de roupa de um armazém da Cáritas. Vários populares captaram em fotografia e em vídeo o momento em que funcionários do Departamento de Saneamento da Câmara Municipal do Funchal entraram no armazém e começaram a retirar roupa doada após a aluvião de 20 de Fevereiro, colocando-a num veículo do lixo.

Os moradores recordam a colaboração de diversas entidades e de particulares na separação das peças de roupa e etiquetagem dos sacos de plástico. Um trabalho que agora dizem ter sido em vão.

Veículo e funcionários camarários deixaram o local momentos antes da chegada da equipa do DIÁRIO. Junto ao armazém sobravam alguns sacos de plástico ainda com etiquetas, várias peças de roupa, algumas reunidas por populares, outras ao abandono, penduradas à porta do armazém.

Mais tarde, na sequência da publicação de fotografias nas redes sociais, o presidente da Cáritas emitiu um comunicado referindo que a remoção de roupa ficou a dever-se a um derrame de esgotos no armazém. A entrega de roupas expostas a detritos seria, aponta José Manuel Barbeito na nota enviada à redacção, uma grande indignidade e falta de respeito.

Por outro lado, a lavagem e desinfecção das mesmas acarretaria elevados custos, os quais não se justificam, quer pela quantidade de roupa ainda em armazém, quer pela necessidade de aplicar as verbas disponíveis na aquisição de alimentos.

com Ricardo Duarte Freitas