Vivemos uma época de tonalidade cinzenta, onde os mais jovens, mesmo imbuídos da natural esperança e vontade de viver que é peculiar à primavera da vida, constatam, por via empírico-racional, que o futuro se lhes reserva incerto. E eles sabem, que todo o futuro é temperado de incerteza, mas o deles, apresenta-se garantidamente instável. Embora em patamares diferenciados, também os menos jovens, que haviam outrora avistado um horizonte de arco-íris, percebem agora, que se tratava de uma paleta de cores ilusoriamente colorida. O futuro, é hoje um jogo onde uma minoria ganha e uma enormíssima maioria seguramente perde. Continua-se a especular de onde viemos e é certo que ninguém sabe para onde vamos. Muito menos os que ganham, porque na realidade ninguém se pode arrogar de ganhador, quando o seu prémio resulta da indigência do perdedor. Urge enfrentar os tempos, fomentando a organização de associações de pessoas ou grupos com os mesmos objectivos, como seja a criação de actividades económicas que almejam a obtenção de vantagens comuns. As Cooperativas como modelo organizacional, ganham renovada importância, tendo por fundamento o progresso social através da cooperação e auxílio mútuos, através dos quais, aqueles que se encontram em situação de desvantagem competitiva, consigam, pela adição de esforços, garantir uma existência condigna. E é nesta dialéctica, que podemos tentar criar uma paleta de cores onde a sua variedade e reflexo abrace todos os seres humanos de forma fraternal. [email protected]
Fernando Rodrigues