António Cartaxo O assunto é forte, a realidade é triste, a fome é real. À medida que o país definha financeiramente, sem conseguir implementar políticas que contrariem esse caminho, os efeitos dessa tendência já chegaram a todos os cantos onde nos partilhamos socialmente, em casa, na família, nos amigos, no trabalho, e, fatalmente, também na escola. Actualmente a fome acompanha lado a lado muitos alunos a caminho das escolas, e na Madeira essa triste realidade não é excepção, agravada com as recentes noticias de falta de alimentos básicos nalgumas escolas madeirenses. Nós, adultos, até aceitamos resignar-nos perante a possibilidade de existir uma esperança, por muito ténue que seja, e aliamos a isso todo o tipo de carências, dificuldades, privações, etc. Mas as crianças... as crianças não, por favor. Não as obriguem a provar dos malefícios destas políticas desastrosas que nos destroem a alma, a dignidade e a vida. Às vezes dou por mim a magicar coisas impossíveis. O Homem consegue ser tão maquiavélico quanto a imaginação possa alcançar. Imaginem que já pensei se este estado de inanição não será uma forma maquiavélica aproveitada por algum iluminado desta política impura para fazer reduzir os índices de faltas de comparência escolar. Arrepia-me só de pensar. Mas neste mundo, onde a política não é, desgraçadamente, um cenário de bons exemplos, este imaginário percorre-nos a mente e deixa-nos assustados, muito assustados. Alguém nos acuda.