Asituação económica em Portugal continua a degradar-se. O desemprego não pára de aumentar e a recessão de agravar-se. A única “boa” notícia é a de que Portugal está a conseguir financiar-se no mercado a 10 anos com taxas consideradas pelos nossos governantes como aceitáveis, se bem que não deixem de ser superiores às exigidas à Alemanha em cerca de 4 pontos percentuais. Vejamos um exemplo simples para se perceber o que isto significa. Pensemos em duas famílias (a família Alemã e a família Portugal) ambas com uma dívida a pagar de € 100 000. A família Portugal paga uma taxa de juro de 5,5% enquanto a família Alemã paga uma taxa de juro de 1,5%, ou seja, enquanto a primeira tem de pagar € 5 500 de juros por ano, a segunda só tem de pagar € 1500. Se a família Alemã quiser fazer o mesmo esforço financeiro e pagar € 5 500 por ano, estará a amortizar a sua dívida e dentro de 20 anos terá a dívida paga. O juro pago por Portugal tem uma penalização pelo risco do não cumprimento, ou seja, pela possibilidade de não se pagar a dívida. Se essa possibilidade nunca se concretizar é um ótimo negócio para quem emprestou porque vai ganhar muito mais do que emprestando à Alemanha. Com os números do exemplo acima se daqui a 10 anos a família Portugal pagasse 60% da dívida, o emprestador teria ganho mais do que ganhou com a família Alemã. O que Portugal tem conseguido é encontrar financiamento para, no final do prazo das dívidas, pagar a dívida antiga com nova dívida, mas não está a resolver o seu problema de dívida excessiva. Por isso, a meu ver, o problema nacional só se resolve quando formos capazes de produzir o suficiente para pagarmos não só os juros mas começarmos a diminuir a dívida. O caminho da austeridade que estamos a trilhar não está a resultar, tornando-se importante (e urgente) pensarmos em alternativas que levem ao aumento da produtividade e ao crescimento.

Pedro Telhado Pereira