Os indicadores devem ser outros, que mostrem o que somos, como estamos e para onde vamos Depois de sete avaliações, já sem qualquer efeito surpresa mas nem por isso menos doloroso, novos anúncios destinados aos de sempre, os que comem e calam. Mais cortes nas pensões, novas reduções salariais e outras tentativas mal disfarçadas de cobranças pela via fiscal directa ou indirecta, no delirante jogo do rato com a Constituição. Dos números, o exercício e o resultado de sempre. Percentagem para cá, percentagem para lá, suportada por mais relatórios que se encomendam e pagam a peso de ouro, porque, vindos de fora, soam mais credíveis, no caso de sugerirem o que entretanto já se decidiu. E lá vamos nós, sete avaliações depois e de tantas medidas imperativas, necessárias, fundamentais, para resolver o nosso problema estrutural sem que, contudo, haja resultados que sequer sugiram que há alguma coisa que tenha melhorado, antes pelo contrário. O que se tem avaliado, em boa verdade, não é o efeito das políticas do Governo de Portugal e das medidas do programa imposto pelos nossos amigos (se fossem inimigos imaginamos o que seria) que nos estão a ajudar a desaparecer. O que se avalia é exclusivamente a possibilidade de continuar a secar a economia e a vida dos portugueses em doses sucessivas de gozo implacável, calculista e seguro face à impotência e fraqueza do sistema social que entretanto se feriu de morte. Onde entram afinal nas avaliações os números relativos a milhões de desempregados, às centenas de milhares de jovens que abandonam o país, à fome e miséria que cresce mais que as ervas nas ruas, ao aumento da criminalidade justificada pela luta pela sobrevivência e ao que de tudo isto resulta e que terminará em absoluto com a liquidação daquilo que já foi um país? Como se avaliam estes resultados? Que pensam afinal Gaspares, Coelhos, Portas e Companhias acerca dos portugueses que passam fome, que ficam sem casa, que abandonam a família emigrando em busca de melhor sorte que deixam de ir à escola ao médico e ao supermercado? Não entram nas avaliações?. Pagas as contas, lá nisso não restam dúvidas, o que teremos no fim? Uma sociedade velha, pobre, exaurida institucionalmente e sem juventude qualificada, entretanto requisitada por outros países que sabem bem aproveitar as capacidades, competências e qualificações dos portugueses. Acresce que mesmo pagando da forma violenta, injusta e inaceitável como a que estamos a suportar, temos um governo que não só é insensível face aos cidadãos mais desprotegidos e que não é capaz de criar mecanismos de equidade e justiça, como ainda faz aumentar a despesa pública em resultado da incompetência que se junta à insensatez. Nada disto se avalia?. Todos sabemos que o ponto de partida era já pouco famoso. E foi nessa base que se tolerou um esforço imenso de que se esperavam resultados, outros resultados que não este estado de coisas em que se constata uma incompetência quotidiana e um anunciar avulso de mais cortes, mais apertos e mais convites à debandada. Para isto não precisamos de governo, bastaria uma comissão liquidatária. Um governo tem que ter politica, ideias, medidas, suportadas por enquadramentos, justificações e propostas adequadas e passíveis de avaliação, de forma clara, objectiva e transparente. A avaliação não deve ser a medida da satisfação com que os outros nos olham. Os indicadores devem ser outros, que mostrem o que somos, como estamos e sobretudo, para onde vamos. A avaliação é má, tão má que requer medidas urgentes e significativos. A começar, um corte exemplar, de 100% no Governo que diz ser de Portugal. Esperar pelas próximas eleições é negligência e constituiria fraco incentivo para quem vier depois. António Domingos Abreu

Os indicadores devem ser outros, que mostrem o que somos, como estamos e para onde vamos

Depois de sete avaliações, já sem qualquer efeito surpresa mas nem por isso menos doloroso, novos anúncios destinados aos de sempre, os que comem e calam. Mais cortes nas pensões, novas reduções salariais e outras tentativas mal disfarçadas de cobranças pela via fiscal directa ou indirecta, no delirante jogo do rato com a Constituição. Dos números, o exercício e o resultado de sempre. Percentagem para cá, percentagem para lá, suportada por mais relatórios que se encomendam e pagam a peso de ouro, porque, vindos de fora, soam mais credíveis, no caso de sugerirem o que entretanto já se decidiu. E lá vamos nós, sete avaliações depois e de tantas medidas imperativas, necessárias, fundamentais, para resolver o nosso problema estrutural sem que, contudo, haja resultados que sequer sugiram que há alguma coisa que tenha melhorado, antes pelo contrário. O que se tem avaliado, em boa verdade, não é o efeito das políticas do Governo de Portugal e das medidas do programa imposto pelos nossos amigos (se fossem inimigos imaginamos o que seria) que nos estão a ajudar a desaparecer. O que se avalia é exclusivamente a possibilidade de continuar a secar a economia e a vida dos portugueses em doses sucessivas de gozo implacável, calculista e seguro face à impotência e fraqueza do sistema social que entretanto se feriu de morte. Onde entram afinal nas avaliações os números relativos a milhões de desempregados, às centenas de milhares de jovens que abandonam o país, à fome e miséria que cresce mais que as ervas nas ruas, ao aumento da criminalidade justificada pela luta pela sobrevivência e ao que de tudo isto resulta e que terminará em absoluto com a liquidação daquilo que já foi um país? Como se avaliam estes resultados? Que pensam afinal Gaspares, Coelhos, Portas e Companhias acerca dos portugueses que passam fome, que ficam sem casa, que abandonam a família emigrando em busca de melhor sorte que deixam de ir à escola ao médico e ao supermercado? Não entram nas avaliações?. Pagas as contas, lá nisso não restam dúvidas, o que teremos no fim? Uma sociedade velha, pobre, exaurida institucionalmente e sem juventude qualificada, entretanto requisitada por outros países que sabem bem aproveitar as capacidades, competências e qualificações dos portugueses. Acresce que mesmo pagando da forma violenta, injusta e inaceitável como a que estamos a suportar, temos um governo que não só é insensível face aos cidadãos mais desprotegidos e que não é capaz de criar mecanismos de equidade e justiça, como ainda faz aumentar a despesa pública em resultado da incompetência que se junta à insensatez. Nada disto se avalia?. Todos sabemos que o ponto de partida era já pouco famoso. E foi nessa base que se tolerou um esforço imenso de que se esperavam resultados, outros resultados que não este estado de coisas em que se constata uma incompetência quotidiana e um anunciar avulso de mais cortes, mais apertos e mais convites à debandada. Para isto não precisamos de governo, bastaria uma comissão liquidatária. Um governo tem que ter politica, ideias, medidas, suportadas por enquadramentos, justificações e propostas adequadas e passíveis de avaliação, de forma clara, objectiva e transparente. A avaliação não deve ser a medida da satisfação com que os outros nos olham. Os indicadores devem ser outros, que mostrem o que somos, como estamos e sobretudo, para onde vamos. A avaliação é má, tão má que requer medidas urgentes e significativos. A começar, um corte exemplar, de 100% no Governo que diz ser de Portugal. Esperar pelas próximas eleições é negligência e constituiria fraco incentivo para quem vier depois.

António Domingos Abreu