Um jogo de futebol, por mais que a emoção ou mesmo os nossos recalcamentos e instintos animalescos escondidos, nos empurrem para o abismo não passa de uma mera manifestação desportiva que se pretende saudável na vertente física para quem pratica e socialmente sã para quem assiste. Um jogo que prolonga a vida e não o seu fim. Uma prática que fomenta a concórdia entre os cidadãos e não o ódio.

No dia 27 de Abril houve um jogo de Futebol na Escola Secundária de Salt Lake City, estado Utah, EUA. O árbitro, de nome Ricardo Portillo, mostrou um cartão amarelo a um jogador de 17 anos que tinha cometido uma falta.

O jovem deu-lhe um murro na cara agredindo-o bárbaramente. Foi levado para o Hospital, onde se verificou que tinha lesões graves internas na cabeça. Portillo ficou internado em estado crítico e morreu no dia seguinte. Após a morte o jogador foi detido, acusado pelo Ministério Público da morte da vitima.

Questiona-se nos Estados Unidos da América, tendo em conta as caracteristicas de crimes violentos cometidos por adolescentes, o critério editorial dos médias/TV na exibição de programas/filmes violentos de conteúdo pedagógico reprovável, sobretudo para o público mais jovem.

Não poderemos esquecer que todas as semanas gastam-se dezenas de horas na TV em pseudo-debates de futebol chegando ao ridículo,talvez trágico, de cometadores abandonarem em directo os estúdios. Ameaças físicas quase “vias de facto” é uma constante. Que espectáculo deplorável “terceiro mundista”.

Rios de tinta nos jornais, dezenas de horas de rádio. Já nos questionámos da validade/necessidade deste protogonismo de dúvidosa decência? A violência não acontece apenas com pau ou com pedra. A violência promove-se sobretudo, através da imagem e da palavra.

Vem aí o defeso futebolístico. Vamos todos de férias. Espectadores, comentadores, jornalistas, dirigentes, treinadores, jogadores e também árbitros. Aproveitemos para reflectir .

Não pretendo lavar a imagem de ninguém, todos temos responsabilidades perante a sociedade nas tarefas que desempenhamos no desporto. Não queremos “casos Portillo” em Portugal.

Se não invertermos esta tendência degeneradora de valores proposta por Pierre Coubertin, nem Nossa Senhora de Fátima nos valerá como o fez na sétima avaliação da TROIKA.

Francisco Costa