O País deve exigir aos seus principais políticos que se entendam. Não é aceitável que um País à beira da ruina total e sob uma intervenção estrangeira tenha os seus principais dirigentes entretidos com politiquices e amuos em vez de se dedicarem a resolver os problemas que eles próprios criaram. Por isso devíamos exigir deles que nos respeitem e que se sentem a uma mesma mesa e enfrentem os problemas como se de adultos responsáveis se tratassem. O que se passa em Portugal é inacreditável e imperdoável. Temos sido mal governados nos últimos anos. Tanto pelo PS como pelo PSD como pelo PP. Com diferentes graus de responsabilidade, é verdade. Mas agora pouco interessa quem teve mais responsabilidade. O importante é que resolvam os problemas graves que o País atravessa, através de consensos. O Presidente da República - corresponsável em toda esta situação - deveria obrigar a um entendimento entre os três principais partidos políticos e ameaçar que caso esse entendimento não exista ele próprio cria uma governo de iniciativa presidencial. Aliás com este mesmo Parlamento é possível criar um governo de Salvação Nacional ou, no mínimo, obrigar o governo a se entender com o PS e vice-versa. É profundamente humilhante ver que são os estrangeiros (por exemplo a Troika) a pedir aos políticos portugueses que se entendam. Que vergonha! Os políticos portugueses estão a passar a ideia que sozinhos não são capazes de governar o País. E será mentira? É inaceitável que durante cinco meses o primeiro-ministro e o líder da oposição nunca se tenham sentado à mesma mesa para falarem sobre o País e chegarem a consensos. O governo de facto insistiu na arrogância, e durante meses colocou o PS e a UGT de lado. Um erro de palmatória. Agora que as coisas correm mal chama os socialistas e a UGT ao diálogo. O PS responde amuado que não quer qualquer entendimento mas eleições. Pergunta-se: eleições para quê?! Pensa o PS que ganha com maioria absoluta? E mesmo que ganhe não vai precisar de consensos? O que precisamos imediatamente é de um novo rumo e esse rumo pode e deve ser conseguido com os três partidos e sem eleições. O país deve cortar de facto na despesa do Estado e não a fingir como faz este governo. Deve cortar nos impostos às empresas e às pessoas e não aumentá-los como faz este governo. Deve centrar a sua ação na economia e no emprego. No consenso e na paz social. Deve enfrentar a troika e exigir razoabilidade nos planos, prazos e juros da dívida. Para bem de todos, incluindo os credores. Não vale a pena falar no fim da austeridade se austeridade é cortar na despesa do Estado. Deve-se, isso sim, em simultâneo, ter políticas fiscais que motivem o crescimento da economia. Uma coisa não pode estar dissociada da outra. Vejam-se dois exemplos: o governo português só olhou para a austeridade. Falhou. O governo socialista da França prometeu apostar apenas no crescimento. Obviamente também falhou! Tem de haver uma dose razoável de austeridade e de muito crescimento. A decadência de Mário Soares A radicalização do discurso de Mário Soares nos últimos tempos é inacreditável. É mesmo decadente e profundamente lamentável. A sua demagogia e discurso fáceis é de um mau gosto evidente e de uma falta de sentido de Estado. Dizer que "o Rei D. Carlos foi morto por menos", referindo-se a Passos Coelho, é uma enormidade. Ninguém, muito menos um ex-Chefe de Estado, deve vangloriar o assassinato de um Rei - que também foi Chefe do Estado - ameaçando gratuitamente o atual primeiro-ministro. Depois Soares fala nos direitos dos mais pobres que estão a ser atacados por este governo e pelo neoliberalismo. Esquece Soares que recebe avultados fundos públicos para sua Fundação? Dinheiro do povo. Esquece Soares que tem uma reforma milionária paga por todos os portugueses, incluindo os mais pobres? Esquece Soares que tem direito a um gabinete, que tem direito a uma secretária, que tem direito a um motorista, que tem direito a uma viatura de luxo com combustível a guardas nas suas casas e ao que parece ao pagamento de multas quando anda a alta velocidade… e queixa-se ele do sistema e defende os mais pobres. É preciso ter coragem. Ou será lata? Pior é vê-lo dizer, com orgulho, que "anda a conspirar contra o governo" e a exigir ao PS que não dialogue com o governo. Que grande exemplo de democrata tolerante e responsável... Soares deveria era prescindir das suas mordomias em solidariedade com o povo - demagogia com demagogia se paga - e tudo fazer para que os consensos políticos existam para bem do mesmo povo. Já quanto ao neoliberalismo: Portugal nem liberal é quanto mais neoliberal. Mas mesmo aí há falta de coerência de Soares. Veja-se quem são os membros (vivos) dos vários Órgãos da Fundação de Soares. Uma surpresa! Margareth Tatcher Margareth Tatcher foi uma das maiores estadistas do Século XX. Fez muito e com imensa determinação e convicção. Transformou um País que vivia num caos social, com um desemprego elevado, uma produtividade baixa e uma inflação elevada, numa das maiores economistas do Mundo. Recuperou o orgulho britânico. Naturalmente como fez muito cometeu alguns erros. Infelizmente a arrogância destruiu Tatcher. A arrogância numa democracia, como a inglesa, é inaceitável e cansa. Tatcher acabou mal. Mas o balanço da História é profundamente positivo. O exemplo da Dama de ferro deve ser lembrado numa altura em que a Europa é vítima de dirigentes fracos. Dirigentes sem qualquer pensamento político e ideológico e sem qualquer projeto. Recordar Tatcher e elogiar a sua determinação, a sua coragem e o seu Pensamento Político é a maior homenagem que se pode fazer à Dama que morreu recentemente em Londres. LIVRO Destaco esta semana o livro "Uma breve História de África" editado pela Bertrand. O livro está muito bem escrito. Descreve de uma forma simples, mas bem factual e muito acessível, a história dos povos, das instituições e os acontecimentos que ocorreram no continente africano. A História vai desde a criação da raça humana até à Primavera Árabe. O livro está dividido em capítulos históricos, como por exemplo "o comércio", "a chegada dos europeus", "colonização", "nacionalismo e independência", "África do Século XXI". Vale a pena ler pois fica-se a conhecer melhor um Continente tão pouco conhecido como é África. O autor é Gordon Kerr.

Paulo Neves