Nunca é demais lembrar que os madeirenses estão confrontados com as piores medidas de austeridade de que há memória na história da autonomia. A Madeira tem hoje mais de 25 mil desempregados inscritos e, se calhar, outros tantos que também procuram emprego, incluindo milhares de jovens que acabaram as suas licenciaturas e alguns deles nem estágio profissional conseguiram. A Madeira vive hoje um verdadeiro drama social, com milhares de famílias no limiar da pobreza. Entre os muitos pobres, há, como é óbvio, milhares de reformados e pensionistas, a maioria deles com reformas de sobrevivência. E, como se já não bastasse tantos sacrifícios impostos pelos governos da República e da Região, o governo de coligação PSD/CDS anunciou ao país que irá diminuir cerca de 10% nas reformas que poderão atingir todos os reformados e pensionistas que recebem a partir de 230€. Esta é uma medida intolerável e humilhante para quem descontou toda a vida para a segurança social. Este governo continua a não ouvir a opinião de ninguém. É austeridade atrás de austeridade e sem qualquer resultado prático para a qualidade de vida das famílias e da economia. Ainda relativamente à diminuição do valor das pensões, os madeirenses aguardam com expectativa a coerência ou a falta dela por parte do líder do CDS, Paulo Portas. Seria bom para o prestígio da democracia e do exercício da ação política que Paulo Portas cumprisse a sua promessa eleitoral, não deixando passar mais esta medida de austeridade e de sacrifício para os idosos.

João Isidoro