Estou a escrever com raiva. Uma raiva que se sobrepõe à racionalidade a que a idade já obriga, mas que nem vou fazer por travar. Porque é justa. Mais do que justa, adequada e proporcional ao momento.

Na passada semana, 35 camaradas do DIÁRIO foram despedidos ou negociaram rescisões, o que vai dar ao mesmo. Uma razia que deixa esta casa em estado de choque e que produz um sentimento de revolta que será difícil controlar.

Não vale a pena disfarçar com frases bonitas, de que o mundo não acaba e outras baboseiras tipo facebook, porque a situação de quem perde o emprego é grave.

Também não vale a pena procurar desculpas para não apontar os culpados da situação. Este é o resultado do esforço de destruição deste jornal por parte de quem assume um ódio doentio e irracional a todos os que mostram os seus erros. A crise não perdoa – e de que maneira -, alguma opção falhada também contribui para a situação, mas o garrote da concorrência criminosa, o dumping e todas as acções que a justiça deixa passar, são ‘extras’ que a decência obrigaria a extinguir.

Decência que não se pode pedir a quem produz comunicados como o de sexta-feira, assinado por um qualquer assessor e em que não há o pudor mínimo de, em vez de vomitar ódio, ficar calado.