Eu até procuro não perceber de nada, mas perguntam-me, sempre, daqui e dali, da esquerda ou da direita, se sabia ou então por que razão não sabia que determinado ponto de vista, num certo contexto excecional, enquanto resultado de uma escolha insegura, pudesse eventualmente condenar-se sumariamente, como se uma simples auto-observação viesse a apontar para o tempo imprevisto que demora a ausência. É como se todas as respostas indiscutíveis dos especialistas fizessem um ninho na ponta da minha língua.

Invocando a grande experiência pela ciência da experiência que, às tantas, se confunde com a tarimba clássica, espreme-se o futebol com especulações sumarentas que se repetem, num bate-que-bate de imitações e cópias. Alienadamente, exibe-se uma mão cheia de neologismos nas barulhentas conversas, gesticuladamente iguais e ritualmente à volta da especificidade dos sentidos no microcosmo da ilha no mar de Atlas.

Mesmo sendo piores, temos obtusamente uma relação de superioridade com o outro. O senhor que sabe tão bem, sabe modestamente quase tanto como eu, que a nova teoria do desenvolvimento sustentado e sustentável mata de tédio o ideólogo da chapa 9 com pintura metalizada. A inteligência produz erros perfeitos. Bertrand Russell (Nobel da Literatura em 1950 e «campeão da liberdade de expressão do mundo ocidental») pergunta: - «porquê cometer erros antigos se há tantos erros novos a escolher?» É a bola quem paga a derrota quando a equipa não tem cabeça e nunca as previsões ao milímetro, nem os prognósticos ao grama que se fazem depois ao vento nas asas da borboleta. Na rádio, atiram-na para o País de Gales, como se tivesse alguma coisa a ver com a prima oval do râguebi.

«Futebol, a bagatela mais séria do mundo» (Christian Bromberger), «é um deus com duas faces, capaz do melhor e do pior» (Pascal Boniface). Nem a bola de cristal adivinha o que a bola de futebol vai fazer.

Juvenal Xavier, Jornalista