Juvenal Rodrigues O povo madeirense sofre, hoje, mais que continentais e açoreanos porque durante muitos anos não soube fazer uma leitura política daquilo que foi a governação madeirense. Mais me custa quando pessoas mais esclarecidas, nomeadamente jornalistas, fazem declarações, no mínimo, incoerentes. Assisti na passada semana ao programa da RTP-M "Dossier de imprensa" e fiquei apreensivo com as afirmações do jornalista Mário Gouveia acerca do processo de despedimento, em curso, no DIÁRIO, cuja colega de painel Raquel Gonçalves, infelizmente, também foi atingida. A dada altura Mário Gouveia afirmava convictamente que o acontece hoje no DN também se deve a uma má gestão da administração deste matutino no que respeita à sua política editorial porque , segundo ele, o DN enveredou por uma oposição ao Governo Regional. Respeito a sua opinião mas não posso estar mais em desacordo. Quem, na verdade, perseguiu ferozmente e ameaçou este Jornal com o seu encerramento foi exactamente o G. Regional por nunca aprender a lidar com a crítica, o pluralismo e isenção do DN. O jornalista Mário Gouveia tem direito à sua opinião como qualquer cidadão mas tem responsabilidade acrescida por ser jornalista e ter a obrigatoriedade de opinar, publicamente, com isenção e coerência. Por ser jornalista madeirense sabe da perseguição, da ameaça e do enxovalho público, a que foi exposta a sua classe profissional por uma pessoa sem escrúpulos e com princípios democráticos duvidosos. Isto, um Jornal pluralista e isento tem por obrigação informar os seus leitores quando ameaçados de coacção dos direitos e liberdades. O DN não é nem nunca foi opositor ao Governo, foi antes um defensor de direitos, liberdades e garantias princípio basilar de um regime democrático. É ainda opinião e voz de muitos madeirenses oprimidos.

Enfrentou todas as ameaças vindas de um inimigo poderoso que não olha a meios para conseguir fins. Também por isso é vítima de uma estúpida concorrência desleal já que nunca se acobardou e não abdicou do seu elementar direito de informar. Mas, também por isso, foi reconhecido e premiado internacionalmente, ao contrário de um panfleto de propaganda do "Jornal do Governo" que apenas serve para sugar dinheiro dos nossos impostos. Não fora o DN talvez o Sr. jornalista Mário Gouveia não tivesse, hoje, liberdade para exercer a sua profissão. Resta-me lamentar o processo de despedimento que atinge, agora, bons jornalistas que eu me habituei a respeitar e admirar pela sua coragem isenção e pluralismo. Uma referência especial à jornalista Raquel Gonçalves a qual me habituei a ver e ouvir denunciar, corajosamente, um regime que ao longo dos anos perseguiu e ameaçou, tudo o que não fosse da cor "laranja". Um desejo de rápida reintegração porque fazem falta ao jornalismo.