No início do mês, numa iniciativa da delegação regional da ordem dos economistas, o Mar foi tema central do turismo na RAM. Já em novembro, numa organização UMa/CNF, o Congresso Internacional Desporto e o Mar tinha focado a atenção na mesma temática. Centrar no Mar o futuro da RAM é óbvio se pensarmos que a Zona Económica Exclusiva terá 446108 km2 (a do Continente 327667 km2 e a do Açores 948439 km2). Mas não basta dimensão (embora as dimensões alterem muitas coisas), é preciso "desbravar".

Numa discussão séria (o que é raro), há um conjunto de potencialidades e constrangimentos que é necessário ter em conta.

A título de exemplo, na RAM, temos:

- Condições únicas de proximidade "Mar-Serra" e micro climas muito diversos, que permitem que se minimizem os custos e maximizem os benefícios ao nível dos comportamentos que podem ser solicitados, quer a residentes, quer a turistas;

- Uma Universidade dinâmica e aberta que tem sabido estabelecer e potenciar sinergias com a administração pública, associações, clubes, escolas, autarquias, entidades privadas, etc., e se tem constituído como um polo de desenvolvimento regional;

- Um conjunto de professores, treinadores, dirigentes e outros agentes desportivos, educativos, económicos, etc., que aliam o capital de experiência adquirido a um espírito empreendedor e vontade de inovar …

Contudo, também é evidente que existem, para além da habitual resistência à mudança e receio do novo, interesses instalados, "ódios de estimação" e "dores de cotovelo" …

É verdade que é necessário, nesta fase de transição, regularizar algumas das graves disfuncionalidades criadas e não resolvidas, mas é fundamental que, ao mesmo tempo, não fiquemos presos no debate do passado. Há que partir de onde estamos e sermos capazes de projetar o futuro.

O Desporto deve assumir-se como um fator de desenvolvimento regional. Já há propostas em "cima da mesa" que defendem que é possível coordenar e gerar dialéticas com a educação, o turismo, a saúde, a cultura…

Com uma metodologia adequada, é necessário continuar a discutir, refutar, apresentar alternativas, de modo a que se possam tomar decisões que não hipotequem ainda mais o futuro…

Quem quer partir para o futuro? Quem quer ficar a fazer o papel do "velho do Restelo"?

Hélder Lopes