Severino Olim O serviço de táxi na cidade de Machico, o mais antigo de transportes públicos nesta cidade, nem sempre tem sido, ao longo dos últimos tempos, acarinhado nem valorizado pelos eleitos com responsabilidades governativas nos órgãos autárquicos locais. Facto é o sentimento que estes profissionais confessam que têm sido largamente enganados por determinadas personalidades ligadas ao partido que actualmente sustenta a governação da Câmara Municipal e que desesperam por falta de respostas oficiais às suas legítimas aspirações sobre um direito que lhes assiste e que tem sido oficialmente negado: o directo de acesso ao serviço de escala de táxis ao aeroporto da Madeira. Revoltados com a situação, constatam que este caso se eterniza sem soluções à vista, apesar, das muitas promessas que em anos de eleições autárquicas são tidas em conta e sempre pelos mesmos políticos que se comprometem viabilizar a sua pretensão junto do Governo Regional. Com o aproximar das eleições para a Câmara começam a chover as velhas promessas de sempre as quais, por falta de seriedade política e de enquadramento legal continuam por se cumprir. Esta pretensão não pode ser tomada como uma teimosia infundada ou por uma birra sem sentido, é uma exigência legítima como alternativa ao desaparecimento de duas importantes praças que existiam no Complexo Turístico da Matur, demolido em 2000 para ampliação do aeroporto para os lados de Machico. Muitos destes motoristas foram um dos perdedores de primeira linha a ser afectados com esta fatal decisão de destruição por completo da Matur, a par dos empresários do serviços de restauração do centro da cidade de Machico que, a partir dessa altura, vivem com tremendas dificuldades para garantir, sobretudo, a sobrevivência dos postos de trabalho. Como um dos factos inevitáveis desta demolição, criou-se um problema de sobrelotação na praça de Machico agravado, nestes últimos tempos, pela fraca procuro deste serviço e pela ausência de políticas consistentes capazes de atrair e proteger investimentos alternativos ao desaparecimento do hotel Atlantis. Efectivamente, a ausência destes projectos têm sido um rosário de esperanças desfeitas nomeadamente para estes profissionais e suas famílias que se sentem humilhados e desapontados por esses fazedores de promessas, os mesmos que, nas eleições autárquicas de 2001 comprometeram-se viabilizar o processo de integração destes profissionais nos serviços de escala ao aeroporto. A verdade, é que ganharam as eleições, a Câmara mudou de cores políticas e o problema nunca chegou a ser resolvido! Em 2005 a extinta Secretaria Regional do Equipamento Social e Transportes, tutelada por um machiquense, considerado um dos estrategas do partido que lidera CMM, fez publicar a portaria nº 39/2005 no sentido de satisfazer o legítimo anseio dos taxistas em questão, portaria essa que nunca chegou a entrar em vigor, suspensa de imediato pelo tribunal e, bem recentemente, revogada pelo Governo Regional que cedeu a pressões do partido maioritário que governa a CM de Santa Cruz, a fim de manter a exclusividade do serviço de escala ao aeroporto aos taxistas daquela Cidade comprar-lhes, desde modo, a liberdade do voto. Na praça de Machico restam as desilusões, problemas de desemprego, sonhos universitários desfeitos dos filhos destes profissionais, impostos e taxas elevadas por liquidar. Apesar de tudo, não devem calar a vossa indignação junto daqueles que vos prometeram encontrar soluções, insistindo por todos os meios democraticamente aceites junto da Câmara, pelo vosso direito ao serviço de escala no aeroporto. Afinal, ainda estamos em Terra de Abril.