Em Agosto de 2011, desde a casa do Porto Santo, que é propriedade de todos os madeirenses mas de uso exclusivo de Jardim e afins, o Presidente do Governo Regional escreveu ao primeiro ministro anunciando que tinha falido a Madeira e precisava de apoio para pagar salários da função pública. Em Setembro desse ano a Inspecção Geral de Finanças contraria o PSD anunciando que a divida da RAM era três vezes mais elevada do que tinha vindo a ser afirmado por governantes e deputados da maioria, poucos meses antes, fixando o descalabro financeiro num valor superior a 6,3 mil milhões de euros, sem ter em conta os 2 mil milhões de responsabilidades com a ViaExpresso e a Vialitoral. Pelo meio de tudo isto, os madeirenses ficaram de boca aberta com a revelação que o governo de Jardim escondera quase 2000 facturas debaixo dos tapetes da governação, num valor superior a mil milhões de euros, surpreendendo entidades oficiais nacionais e europeias e condicionando os valores finais do défice público de Portugal. A dureza das revelações atinge o rating da RAM que aterra abaixo de lixo e arrasta, para o mesmo patamar, a credibilidade do governo liderado pelo inefável Jardim. Ao mesmo tempo, é revelado que a Direcção Regional de Estatística havia manipulado vários resultados, tornando-se numa entidade sob suspeita e mostrando toda a intrujice grosseira e perversa de um governo inteiro. Sem dar descanso para suspirar, os madeirenses ficaram também a conhecer que o maior credor da divida oculta é o líder parlamentar do PSD e Secretário Geral deste partido. Para compor este entusiasmante pântano, o ministério público abre a investigação a esta divida, podendo tornar todo o governo de Jardim num grupo de arguidos. É neste cenário que o PSD ganhou eleições e desenhou um Plano de Ajustamento nas costas dos madeirenses, iniciando, pelas suas próprias mãos, o desmantelamento da Região e o rápido empobrecimento dos cidadãos da Madeira fazendo-os pagar cruelmente pelas asneiras do PSD. É aqui que a "porca troce o rabo": Dizem-me que o povo vota em gente credível, dizem-me que o povo não gosta de aldrabões, dizem-me que o povo não gosta de mentirosos e ainda sublinham que detesta políticos irresponsáveis. Dizem-me estas coisas com muita frequência e eu acredito nisto tudo. Só que nesta equação tão certeira e inequívoca faltam variáveis ou então falta-me sabedoria para resolver o enigma. Os pressupostos são claros: Os governantes que exercem o poder na Madeira não são credíveis e grande parte das pessoas que nos governam na RAM são mentirosos e irresponsáveis. Perante estes pressupostos, que, é fácil de ver, violam a tese supra apresentada, a pergunta que fica no ar é como se explica que numa democracia esta gente ainda nos governe? Não sei responder. Mas sei com elevado grau de certeza que estamos cada vez mais entalados num mato sem cachorro: precisamos de um governo forte, competente e credível para sair da crise mas o povo elegeu o mesmo governo aldrabão e intrujão. Só um milagre pode assegurar que com os mesmos, com as mesmas cumplicidades, opções e vícios, possamos obter um resultado diferente. Deus nos salve...
Carlos Pereira, Líder parlamentar do PS-M