O Benfica levou um forte murro. Ninguém sabe ao certo a intensidade da lesão e quantos dias levará a curar. Só hoje saberemos. Com a meta à vista e depois de ganhar os difíceis jogos com o Sporting e Marítimo, empatar com o Estoril, perante 63 mil adeptos, foi como entregar o ouro ao bandido. É a magia do Futebol. O Porto também não havia aproveitado a escorregadela do Benfica na Choupana, quando duas horas depois empatou em casa com o Olhanense. Por isso ao Benfica, para ser campeão, basta fazer, no mínimo, igual ao Olhanense no Estádio do Dragão. Mas a nossa memória por vezes é curta. Quando, no início da época, numa operação financeira irrecusável, o Benfica vendeu Javi Garcia e Witsel, acrescido do facto de não ter defesa-esquerdo, as perspectivas eram negras. Jorge Jesus pegou na equipa sem lamentos e deu a volta à situação. Hoje está em três finais. Um privilégio ao alcance de poucos. Benfica e Porto fizeram um grande campeonato e por isso ainda não perderam nenhum jogo.É um facto inédito e histórico, que nunca aconteceu. Será assim até ao final? Ambos sem derrotas? No passado fim de semana o Estoril jogou muito e o Nacional não jogou nada. Aliás o treinador e os jogadores do Nacional mais pareciam ter tomado Xanax antes do jogo, em vez dos habituais suplementos energéticos dos desportistas. Nada semelhante, por exemplo, ao Marítimo, que frente ao Benfica fez e bem um grande jogo, mais parecendo que as suas vidas dependiam daqueles noventa minutos. Durante a semana encontrei vários amigos sportinguistas que, pensei eu, estariam tristes por nem a Liga da Europa conseguirem ir na próxima época. Um desastre a confirmar-se, a todos os níveis, como o próprio Bruno Carvalho já o reconheceu. Para isso basta hoje o Estoril ganhar ao Beira-Mar. Puro engano. Estavam felicíssimos por o Estoril ter empatado com o Benfica, e mesmo assim terem hipotecado as hipóteses de ir à Liga Europa. São primeiro que tudo anti-benfiquistas e não sportinguistas. Isto é, primeiro querem a derrota do rival e só depois a vitória do seu clube. Quando deveria ser exactamente ao contrário. Talvez este seja um dos problemas sérios da crise existencial do Sporting. É a magia do futebol.
Rui Abreu, Chefe Gabinete CMF