Na natureza há animais que carregam o cadáver da cria, exibindo um luto macabro nas primeiras horas ou dias após a morte desta, até que os odores da decomposição se revelem. Em Portugal, Cavaco e demais primatas superiores, assemelham-se nesta bizarra acção, ao segurar este governo PSD/CDS, em nome duma pretensa estabilidade podre, que ninguém sente ou crê. Este tédio massacrante decorre do mito, com que nos embarretam, para que uma nata de interesseiros sorva sete mil milhões de euros anuais em juros! Uma "estabilidade" destas interessa pois, a um restrito grupo, que assim conduz a boiada engalanada com o adereço da austeridade, enquanto fosse este, o único pasto da Terra. Há sempre alguém a acreditar, e outros pagos, para matracar insistentemente como uma homilia dominical para amansar gado. A estabilidade e o consenso correspondem à última anestesia cavaquista, que já nem pudor revela na colagem ao governo. Os interesses instalados beneficiam a banca e os grandes grupos económicos, que frutificam sempre, enquanto em redor, tudo morre. Ainda alguém questiona, um governo de iniciativa presidencial? Cavaco já o escolheu. O povo está órfão do Estado. O país está órfão da Europa, e a democracia da sua representatividade. Talvez por isso, não queiram que o povo se pronuncie em eleições. Ou que a reserva constitucional da nação, aponte inconstitucionalidades pelo segundo ano consecutivo; ou até que a Madeira esteja órfã da autonomia, num calendário sem Abril. O Maio do colaborador precário de baixo custo e competitivo, está aí. Com toda a oportunidade que o trabalho barato pode dar; com todo o vazio que o desemprego preenche. Assim caladinhos, jazemos numa sepultura de silêncio, à espera que um asteróide nos atinja e porventura nos espevite, desta pastosa mescla de conformismo.
Donato Macedo, Lic. Comunicação