A Europa vive um desafio constante no plano financeiro e político, parecendo ignorar os contributos das artes e sobretudo dos artistas. O III Fórum Europeu da Música que se realiza de 18 a 21 de Abril em Glasgow, traz a palavra dos músicos, ativistas, professores e investigadores, dando um contributo ao futuro da Europa. O foco está nas artes e no seu valor cultural e social, que aproxima os povos e lhes mede a alma. O próprio exemplo de Glasgow é apontado como um rumo a seguir, no que diz respeito à regeneração da cidade através da música. A outra faceta do Fórum são os jovens, as suas preocupações enquanto cidadãos europeus e acima de tudo, o seu futuro na música, que deverá passar pela estabilidade laboral num contexto alargado de mobilidade transnacional. Os jovens representados no fórum têm idade inferior a 30 anos. As suas discussões abrangem a formação musical e o treino para o emprego. A organização incentivou os parceiros internacionais a se fazerem representar por jovens, contando assim com a sua participação ativa nos grandes painéis. Destes, salientam-se: «Regeneração da Europa através da Música», «A Europa criativa», «Introdução às redes europeias da Música» e «Construção da Comunidade pela Música». Longe de tudo isto, estão os nossos jovens músicos. Esgotados os intercâmbios europeus, não se procuraram outros. Na míngua dos planos regionais, a experiência ativa confunde-se com Placa Central e hotéis, igrejas e centros culturais. Porque o contexto socio-económico-cultural-geográfico é o mesmo, estas atuações não servem como etapas de evolução artística, nem têm significado relevante nas suas vidas. Por isso, a maioria, considera-as como - ''mais do mesmo''. Bastaria uma instituição ou organismo regional estar presente neste Fórum, com o propósito de ouvir e participar, para que se invertessem algumas situações. Colocar a Madeira na rede europeia, ou melhor dizendo no mapa, serviria para abrir novos caminhos, que só poderiam ser de cooperação, colaboração e diálogo. Mas isso, é certo, teria um custo no que se designa de dirigismo regional e na intrincada estrutura que lhe está subordinada.
Vítor Sardinha, Músico