A criação das SAD pelos 3 grandes prometia modernizar a gestão do futebol profissional. Aspirava-se um real equilíbrio entre o objectivo primário de sucesso desportivo com a sustentabilidade económica e financeira dos clubes, que perante o exemplo de sucesso do FC Porto, parecia fazer sentido para os restantes. Após 15 anos de resistência, a FC Porto SAD associou-se às do Sporting e do Benfica no grupo das SAD em falência técnica. O resultado da gestão nas 3 SAD é elucidativo: mais de 450 milhões de euros de prejuízos acumulados! Como chegaram os clubes a esta situação? Resume-se à ambição desmesurada por títulos que os tem levado a gastarem mais do que o que é comportável pelos seus rendimentos. Um estudo levado a cabo pela Bundesliga, refere que os clubes alemães gastam em média 54% do volume de negócios com salários de jogadores e staff. Em Portugal esse rácio situa-se acima dos 65%. Esta prática teve o auge na recente época, com os exemplos da Sporting SAD e da FC Porto SAD, residindo a justificação na aposta e no investimento em jogadores de elevada qualidade. O modelo de gestão usado nas SAD só tem sido viável porque as instituições financeiras têm possibilitado o crescente endividamento dos clubes, sendo que apesar da dificuldade de acesso ao crédito, a dívida financeira contraída com o futebol aumentou. Os clubes exigem uma gestão eficaz e eficiente que requer competência, rigor e responsabilidade, requisitos que muitas vezes parecem ausentes. A sócios e accionistas compete vigiar e defender os seus interesses, que agora, mais do que nunca, estão postos em causa.
Vitor Andrade, Colaborador da AA UMa