Esta semana, soubemos que o governo tem a intenção de utilizar verbas europeias para apoiar aquilo que denomina de "empregabilidade parcial", com o nobre objectivo de facultar aos pais e mães mais tempo para acompanhar os filhos. Na perspectiva do governo, uma mulher que pretenda ser mãe, mais do que disponibilidade financeira, precisa de disponibilidade para uma maior dedicação para acompanhar os filhos. A ideia principal é a de que uma mãe ou um pai podem trabalhar meio-dia que o estado, com recurso às verbas europeias, suportará o restante. Em Fevereiro passado, a ideia de apoiar o emprego em part-time também foi colocada em cima da mesa, mas com o intuito de promover o emprego jovem. Com uma taxa de desemprego situada nos 17,5%, que é a terceira mais elevada da União Europeia, são já recorrentes as promessas do governo que tudo irá fazer para estabiliza-la e reduzi-la. No entanto, é necessário considerar que mais importante que baixar os números das folhas de excel do governo, é dar condições às pessoas para que possam ter estabilidade nas suas vidas. Tentar reduzir os números do desemprego com recurso à aposta no emprego em tempo parcial, irá certamente reduzir o número de desempregados. Por outro lado, colocará os empregados nesse regime a receber valores que não permitem fazer face às necessidades das suas vidas e dificultará a progressão profissional. Mesmo que se consigam subsídios europeus, estes um dia irão acabar e, nessa altura, os empregados continuarão em part-time, mas sem receber a comparticipação do governo. Continuaram a ter que suportar o pagamento da casa e do carro, a educação dos filhos, as despesas de saúde, a própria alimentação, entre outras. Metade do trabalho equivale a metade do orçamento familiar, que na prática não será suficiente para fazer face às despesas correntes e levará, consequentemente, a que as pessoas vivam também em part-time.
Pedro Nunes, Economista