O talento individual é um recurso extremamente importante, em todas as sociedades, seja no domínio científico, cultural, desportivo, artístico, etc. mas necessita de um quadro institucional, económico e social que o transforme numa força positiva. É a educação e os conhecimentos especializados que geram o conhecimento científico sobre o qual se constrói o progresso e que permitem a adaptação e adopção das novas tecnologias em diversos ramos de actividade. Investir nas pessoas e mobilizar os talentos e conhecimentos especializados de um elevado número de indivíduos é um factor decisivo para o crescimento económico. A inovação vem de pessoas novas com novas ideias, que criam novas soluções para velhos problemas e que tiram o melhor partido dos seus talentos e competências. A mudança tecnológica actual requer que, tanto o inovador como o colaborador sejam instruídos. As sociedades inclusivas fomentam a actividade económica, o crescimento da produtividade e a prosperidade. Criam condições para que as pessoas possam desenvolver as actividades profissionais que melhor se adaptam aos seus talentos e asseguram também a igualdade de condições que lhes dão a oportunidade de o fazer. As sociedades fracassam quando deixam de ter capacidade de criar as instituições que potenciam o crescimento económico. Sem capacidade de crescimento económico uma sociedade vê quartada a sua capacidade de inovar, de adaptação de novas tecnologias e de instrução da sua população. Esta situação pode levar à estagnação económica, conduzindo ao empobrecimento social e ao acentuar das desigualdades económicas. Infelizmente, as opções que estamos a tomar poderão originar uma sociedade mais desigual, uma sociedade menos inclusiva. Enfim uma sociedade que não conseguirá "incluir" todos os seus talentos.

Jorge Carvalho, Professor