Contaram-me ontem que o jardinismo obriga as suas tropas a ler e a pôr em prática 'A arte da guerra', de Sun Tzu. É provável. Para além de ser comum ver aplicações do tratado militar escrito pelo general chinês há cerca de 2.400 anos adaptadas à política, à gestão de empresas e até mesmo à auto-ajuda; apesar de haver estratégias e tácticas que o tempo inimigo não mata; é certo e sabido que os seguidores do fingimento acreditam que a sua capacidade de intervenção "tem na dissimulação a qualidade básica". As múltiplas tentativas de intoxicação da opinião pública madeirense e de manipulação dos menos avisados provam que o manual é usado para fomentar intrigas, ilusões domésticas e espectáculos deprimentes. Eis três provas recentes: Alberto João Jardim, o mesmo que sem coragem para processar a Câmara do Funchal na acusação de manipulação, optando antes por mandar o DIÁRIO para tribunal, gastou quase duas páginas de jornal para justificar porque recebe reforma, direito nunca posto em causa, pois o que se discute e reprova com legitimidade é a acumulação da reforma com vencimento; Conceição Estudante, a mesma que não se fez ouvir no período de discussão pública Plano Estratégico Nacional do Turismo, deu ar de vítima do centralismo, alegando que a Madeira não foi ouvida sobre um documento, que por sinal, a Região teima em não ter; Ventura Garcês, o mesmo que demora uma eternidade em dar respostas e a pagar calotes, até ao sábado emite esclarecimentos para acusar o jornalismo de "irresponsável" em vez de governar. Há muitas mais rábulas para partilhar, todas de governantes que se dessem ao incómodo de fazer 500 metros cidade fora, perceberiam que a realidade não é entretenimento. Ontem, por volta das dez da manhã, entre a rua Fernão Ornelas e a esquina do mundo encontrei cinco pessoas em manifesto desespero. Pediam sem vergonha, de forma ostensiva. Queriam matar a fome e a angústia. A táctica de quem manda é conhecida. Sun Tzu sugeria que "o verdadeiro método, quando se tem homens sob as nossas ordens, consiste em utilizar o avaro e o tolo, o sábio e o corajoso, e em dar a cada um a responsabilidade adequada". Há quem se preste a todos os papéis. Em ano de 'autárquicas', cabe ao eleitor distingui-los, evitar o logro e comprometer quem escolher. Manuel António Correia Secretário Regional Tenta estar em todas as frentes que tutela com postura positiva. No vinho, prometeu reconversão de castas e apoios para produtores e agricultores. Na cana, não só assegurou o escoamento, como garantiu melhor rendimento. A fasquia está alta. Francesco Valentini Director da Nova Delphi O Festival Literário foi considerado um "fenómeno". A 3.ª edição trouxe escritores conceituados, cativou público e superou as expectativas. No próximo ano há mais, com reforço de autores e de eventos. Venham eles. Carlos Ruas Candidato independente A vontade de mudança mostra-se activa no Porto Santo. Sinal de vitalidade da democracia e de empenho na construção de uma ilha com qualidade permanente. E de aviso à partidocracia acomodada, que nem sempre candidata os melhores. Jorge Romeira Presidente da CM São Vicente Revela-se determinado em enfrentar tudo e todos num concelho em que a sua reeleição corre riscos. Distanciar-se de um governo que perde lucidez e capacidades é oportuno, mas pode não ser suficiente para derrotar independentes. Bruno Pereira Candidato do PSD-M à CMF Não ficou bem na fotografia alusiva aos parques de estacionamento. Admitir concessionar um negócio que nas mãos da autarquia pode render mais 100 mil euros por ano por um mínimo de 10 mil euros não é um bom trunfo eleitoral.
Manipulações & intrigas
Peritos em bluff distraem o povo na expectativa de ganhar tempo e que a fome passe