Em Portugal, temos muita coisa de que nos orgulhar: a saúde, a educação, a nossa satisfação com a vida, os nossos rendimentos. Temos tudo do bom e do melhor. Para além de tudo isto, podemo-nos orgulhar também de estarmos nas posições dianteiras dos relatórios da União Europeia. Directamente entregue pela Comissão Europeia para a Eficiência da Justiça: o nosso cantinho à beira-mar foi eleito como o país europeu que mais demora a decidir processos, nada mais, nada menos do que três anitos! Nós, que já éramos o país que demorava mais tempo a dar resposta a processos de execução no Tribunal de Primeira Instância (2185 dias), temos mais este galardão para fazermos de bandeira por essa Europa fora. Muito bom! Peço desculpa ao leitor mas esqueci-me de avisá-lo de que se quer ver estes dados de forma positiva, terá que inverter a tabela que nos é dada pela União Europeia. Lapso meu… São casos como o do Freeport, do BPN, do Apito Dourado, do Cuba Livre, da licenciatura de Miguel Relvas e do brevíssimo processo Casa Pia, que nos colocam na dianteira da liga da justiça. Todos estes casos parecem-me actuais e canso-me de olhar para eles. No processo da Casa Pia, por exemplo, foram apresentadas cerca de 1000 testemunhas. Exacto, leu bem, 1000! Temos que ter uma justiça que não tarde a apurar os culpados, a julgá-los e a puni-los sem olhar a nomes, cargos e historiais! Caso encerrado.

Rúben Castro, Colaborador da AAUMa