Não há dúvida nenhuma que a Madeira cada vez perde mais vapor, indo, mesmo a caminho de perder tudo o que dizia ter conquistado, à conta da chamada Autonomia do Arquipélago da Madeira, antes designado por Distrito Autónomo do Funchal. Tradicionalmente, os governos de direita sempre causaram problemas às regiões, quer de ordem financeira, quer de solidariedade para com os povos insulares, alguns mesmo com dupla insularidade, como é o caso do Porto Santo e de oito Ilhas dos Açores. Num ai, perdeu-se tudo, engoliu-se em seco por culpa do eleitorado que não acertou nas suas escolhas, pois a história recente diz-nos que os governos onde participou o PSD, com maioria absoluta ou em coligação, foram sempre os piores para a nossa Região. Recordo-me quando fui presidente da bancada parlamentar do PS, fui várias vezes a Lisboa, reunir com ministros e secretários de Estado e nunca vim de mãos vazias para casa. Procurei sensibilizar o poder central, para as características sócio--económicas da Madeira, para a maneira de ser do seu povo, espezinhado durante a longa noite do fascismo e ainda não recomposto, nem compensado. Quando fui estudar para Coimbra, tínhamos que abrir as malas na Alfandega de Lisboa e no regresso na Alfândega do Funchal. Perguntas sacramentais, trás aguardentes, bordados, cigarros, etc…, como se viajássemos de um país estrangeiro. O imposto especial que pagávamos para a ajuda da construção do porto de Leixões, em tudo o que desembarcava na Madeira, etc…etc… Com Marcelo Caetano, foi publicada a chamada lei da livre circulação de mercadorias, entre os Arquipélagos da Madeira e dos Açores e o continente. Recordo-me de um despacho do primeiro lote de brandy que veio do continente, em que o técnico da Alfândega do Funchal que foi despachar a referida mercadoria, passou a ser conhecido pelo Dr. Macieira!!!!! Com tudo isto quero referir duas coisas: A luta que foi desenvolvida nos arquipélagos para conseguir alguma autonomia e o facto de termos perdido tudo por incompetência, por gestão danosa, facto que se devem sempre aos mesmos partidos, curiosamente, um deles sempre maioritário na Madeira. O actual governo da República desconhece os seus partidos na Madeira, não lhes liga nenhuma e os seus dirigentes, atiram umas postas de pescada, de vez em quando, como se nada tivessem a ver com isso. Os madeirenses foram mais uma vez despromovidos, desta feita, a portugueses de 5ª categoria. Estamos todos asfixiados, tecnicamente falidos, a pagar dos combustíveis mais caros da Europa, por proposta do Governo regional, como maneira de ajudar a pagar os seus calotes mais rapidamente, juntamente com o aumento dos outros impostos, IVA, IRC, IRS, etc…perdendo-se desta maneira o apoio aos transportes da carga, com a baixa de 30% do IVA, lá se foi a solidariedade do povo português para com a Madeira. Todas estas notas vêm a propósito de um ataque descarado do líder do CDS/Madeira, ao actual ministro das finanças, apoiado pelo seu partido, a nível nacional. Não nos devemos esquecer que Paulo Portas, é o homem com mais poder em Portugal. Basta um não deste homem para tudo se modificar, mas curiosamente o líder do CDS/Madeira, em vez de recorrer a ele para resolver determinadas situações, vem publicamente pedir a demissão de Vítor Gaspar. Por favor não engane mais o povo madeirense, faça esse pedido ao líder do seu partido. O senhor andou na Madeira a pedir para votar no seu partido, para depois fazer o que está a fazer aos madeirenses. Tenha uma atitude honesta e demita-se, porque é tão responsável como os outros que tanto mal têm feito à Madeira. Recusou entrar numa coligação pelo Funchal, para que finalmente surgisse outras pessoas a governar o município capital da Madeira e entretanto prepara-se para ser a bengalinha do PSD…
Duarte Caldeira Ferreira