Desde Maio de 2011 que Portugal é um protetorado da troika. A troco de um montante próximo de 50% do PIB, Portugal pediu um resgate financeiro permitindo que a troika "habite" o nosso território até pelo menos junho de 2014. Desde 1974, Portugal pediu três resgates, em 1977, 1983 e em 2011, sempre na sequência de governações socialistas. As consequências foram sempre duras e dolorosas. Em quatro décadas, a nossa Constituição nunca impediu que o País chega-se ao estado de bancarrota. A diferença é que desta vez não dispomos de instrumentos como a desvalorização cambial que potenciem rapidamente a competitividade , para além de estarmos amarrados às diretrizes na União Económica e Monetária. Foi um erro este Governo ter ido mais além do memorando da troika e não ter, desde o inicio, arrolado o PS ao hercúleo trabalho de recuperar um País devastado pela pesada divida e sem financiamento. A tentativa desesperada de equilíbrio financeiro levou a que aplicasse uma dose cavalar de austeridade que, comprovadamente, tem levado a economia à exaustão. Um estudo de Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff, cobrindo 200 anos de história e 44 países com regimes económicos e níveis de desenvolvimento muito diferentes, concluiu que, para rácios de dívida acima de 90%, o crescimento do PIB tende a ser significativamente menor. Os modelos económicos que servem de base a estes programas de ajustamento não estão a resultar e a tese purista já teve mais adeptos. O Plano de Ajustamento Económico Financeiro negociado tem pouco de económico e muito de financeiro. É necessário calibrar a consolidação das contas com programas de apoio à economia e ao emprego. Mais do que anunciar medidas, espero que o Governo coloque rapidamente em pratica a estratégia para o crescimento , emprego e fomento industrial. Medidas como a diminuição das taxas do IRC, redução dos custos de contexto, a baixa das taxas de uso portuário, reforma do licenciamento industrial, reforço do financiamento e agilização do investimento são bem vindas. As medidas que o PS tanto reclamava chegaram embora não as tivesse negociado em Maio 2011.

Rui Barreto, Deputado do CDS na Assembleia da República