Por muita simpatia e respeito que nos possa merecer uma instituição, uma personalidade ou um indivíduo, há situações em que a sua defesa se torna difícil, quase impossível. Contrariar as evidências obriga a entrar no campo do ridículo e da fantasia. É assim a Assembleia Legislativa da Madeira, órgão máximo da Autonomia e, em teoria, representante da vontade dos madeirenses e defensor máximo dos seus interesses.

Por muito esforço que se faça, torna-se impossível defender o parlamento, tantos são os tiros nos pés que colecciona. Além de ser um oásis entre as democracias ocidentais no que diz respeito a impedimentos e incompatibilidades dos seus membros e ter um regimento que muitas vezes ultrapassa os limites da democracia, a Assembleia da Madeira é a que mais paga aos partidos – o ‘jackpot’ é monstruosamente superior a qualquer outra subvenção partidária – e, provavelmente a que mais casos caricatos produz. Insultos, trocas de ameaças, bandeiras nazis, fatos de prisioneiro, um pouco de tudo. A menos só a discussão das propostas em agenda que se vão acumulando qual lista de espera dos serviços de cirurgia dos hospitais.

Na última sessão plenária, realizada no dia 17 de Abril, o parlamento tinha uma ordem de trabalhos com 144 pontos. A próxima terá 149. Sim, o número não tem um ‘1’ a mais, são mesmo cento e quarenta e nove pontos, entre diplomas para debate e votação e votos de protesto, louvor, congratulação e ‘escárnio e maldizer’.

O mais curioso é que com este recorde de assuntos para discutir, a Assembleia só volte a reunir-se em plenário no dia 7 de Maio. Três semanas de férias, porque pelo meio se meteram o 25 de Abril e o 1º de Maio, Dia do Trabalhador. A este ritmo, não há lista de espera que aguente.